quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Os cheios e os e vazios na fachada do Hotel Inca

Este hotel fica na Av São João esquina com a rua Timbiras em São Paulo. O engenheiro arquiteto Tadeu Giuzio o construiu no ano de inauguração 1943.

O Hotel Inca foi um edifício que explorou  a solução volumétrica de maneira arrojada para a sua época com linhas retas e contraposição de elementos cheios e vazios, onde pequenos terraços rompem a robustez da fachada sólida. O lote foi totalmente aproveitado. A implantação em esquina explorada pelas duas faixas verticais que marcam a esquina e interrompem a horizontalidade da marcação dos andares.
No térreo há três lojas que evidenciam o uso misto do edifício. Os apartamentos são simples, com banheiros individuais e alguns apartamentos, têm varandas.
As pequenas varandas livres de ornamentos e sem tratamento especial, foram importantes na composição das fachadas do edifício. O uso de esquadrias arredondadas mostrou o avanço da indústria nacional no projeto.
O Hotel Inca encontra-se em decadência e abandono. O hotel abriga principalmente pessoas que vem fazer compras na região da rua Santa Efigênia.
Os quartos são simples, com móveis de época e alguns dormitórios possuem pequenas varandas. Os banheiros também originais são simples e em alguns quartos carecem de pequenas reformas.
No térreo há lojas, em geral, de eletroeletrônicos. O hotel possui 8 andares e 55 apartamentos


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A arquitetura e os atrativos do Hotel Marian

A fachada do Hotel Marian foi um dos seus grandes méritos. As curvas e o rico tratamento de suas varandas atraíam as atenções dos paulistanos nos anos 40. O uso de grandes painéis de vidro e gradis detalhados foram cuidadosamente estudados pelo arquiteto Archimedes Pimentel. O prêmio de mais belo edifício da cidade no biênio de 1941-1942 coroou o tratamento arrojado de sua fachada.
Hotel Marian
 O largo de Santa Efigênia foi uma importante ligação do Centro Velho ( Largo de São Bento) com o Centro Novo da cidade, região da Av: Ipiranga.
Além disso, o hotel se destacou pelos acabamentos e detalhes internos dos apartamentos.
O edifício por sua volumetria arrojada e o atual estado de conservação tornou-se marco na região. Em 1993, o Hotel Marian recebeu um investimento de sua direção na ordem de US$2,5 milhões para seu completo processo de restauração e tombamento.
Em 1995/96 a administração do hotel uniu-se ao Procentro com o intuito de viabilizar e concretizar melhorias para a região.
As reformas conservaram todos os aspectos originais da construção, desde a manutenção de peças originais até o perfeito restauro de seu interior. Os detalhes impressionam. No entanto a escala urbana e os investimentos públicos na região não corresponderam à riqueza do edifício e acabaram por deteriorar a qualidade do mesmo.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Hotel Alvear hoje Marian Palace Hotel

O Hotel Alvear, hoje conhecido como Marian Palace Hotel, localizado ao lado da igreja de Santa Efigênia, na rua Casper Líbero, foi construído pelo Escritório Técnico A.B.Pimentel em 1942 e foi um dos primeiros ensaios de arquitetura moderna da cidade. Originalmente destinado a apartamentos, foi reformado em 1953 por uma equipe chefiada pelo arquiteto polonês Lucjan Korngold para abrigar o Hotel Alvear.
Marian Palace Hotel
A história do Hotel confunde-se com a história da cidade de São Paulo. Sua idealização iniciou-se após a crise gerada com a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929 onde os cafeicultores não tinham grandes fortunas para investir em imóveis na cidade de São Paulo.
Deste modo, a Sra Louise Germania Burchard (filha herdeira do Sr Martinho Burchard, um dos mais importantes loteadores da cidade de São Paulo) decidiu solicitar ao arquiteto Arquimedes Barros Pimentel um projeto de um edifício onde cada andar fosse uma residência.
Deste modo poderia haver o rateio nos custos de construção e de manutenção e o projeto poderia ter o mesmo requinte das grandes construções da época.
Em 1941, o arquiteto apresentou o primeiro projeto de moradias temporárias aos ricos cafeicultores de São Paulo que buscavam na região da Santa Efigênia a proximidade da Estação da Luz e do centro financeiro da cidade, além de poder desfrutar e apreciar a vista do vale do Anhangabaú.
O projeto era composto por duas torres gêmeas, com duas entradas e circulação distintas à governanta da proprietária. A construção foi recorde para época: nove meses bastaram para a construção conclusão. Em 1942 o edifício foi inaugurado.
No entanto, durante, os primeiros dez anos, a administração do investimento não foi, tão harmoniosa como todos pretendiam e, em 1953, a proprietária decidiu transformá-lo em hotel com o principal intuito de facilitar a administração e conservação do edifício. Desta forma os apartamentos foram remodelados e adquiriram a configuração de um hotel: O Hotel Alvear. A cobertura foi adaptada para a moradia particular da Sra Luise e até hoje os quartos mantém os nomes de seus respectivos usuários.
A reforma de 1953, (1951-1953 é o momento em que a cidade obtem incentivos para construção de novos hotéis) foi atribuída ao arquiteto Lucjan Korngold. O projeto data de 1951 e, segundo Fabel, se tratou de uma reforma sem acréscimo de área com transformação interna de 60 apartamentos para acomodações de um hotel e a formação de 24 escritórios e 2 lojas.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Hotel Excelsior sob a ótica da arquitetura

A fachada do edifício do Hotel Excelsior enfatiza a volumetria adotada. O bloco inferior é marcado pelo uso de grandes pilares e de uma marquise que convidavam o público a entrar e usufruir tanto do cinema, como o hotel. No bloco horizontal foram utilizados grandes painéis envidraçados, pequenas sacadas e muitos elementos vazados. Estes elementos evidenciavam que as áreas comuns do hotel deveriam ter uma relação mais próxima com a cidade, emoldurando a linda vista da cidade e da Praça da República.
No bloco superior, predominantemente vertical, o ritmo contínuo das janelas se refere aos apartamentos do hotel.
Hotel Excelsior - Av Ipiranga - SP
O cinema foi o principal atrativo urbano deste projeto. Unir dois programas distintos era o desafio que norteava os arquitetos nos anos 40 e 50.
O Hotel Excelsior já passou por algumas pequenas reformas. A última em 2005, não desfigurou o conjunto arquitetônico e fez pequenas adequações ao uso atual do hotel. Foram adaptados dois apartamentos para deficientes físicos e as antigas copas deram lugar a suítes para uso dos motoristas das excursões que frequentam o hotel. Os apartamentos, segundo sua administração, mantêm vários elementos de época: as luminárias, os mármores dos banheiros; e os moveis que somente receberam um tratamento de patina e mantêm a linguagem da época.
Infelizmente, o Cine Ipiranga não apresenta o mesmo grau de conservação do hotel. As instalações beiram o abandono e não se verifica nenhuma intenção de preservação deste importante patrimônio.
As colunas de mármore receberam uma grossa camada de tinta e os móveis do lobby e da plateia estão em péssimo estado. Hoje há duas salas de projeção: uma para 1.200 lugares e outra para 300 lugares. A intenção dos administradores do hotel é transformar o cinema em Centro de Convenções. Porém, o locatário do cinema não compartilha da mesma opinião.
O arquiteto idealizador do Hotel Excelsior foi Rino Levi. Filho de imigrantes italianos, nasceu em 1901, em São Paulo.
Formou-se arquiteto na Itália e regressou ao Brasil em 1926 tendo marcado decisivamente a arquitetura paulistana pelo teor técnico de suas construções. Seus edifícios foram notados pelos detalhes construtivos, pelos esquemas funcionais e gráficos de circulação.
O projeto do Hotel Excelsior e do Cine Ipiranga é marcante pelo arrojo no uso correto, de materiais modernos e de técnicas construtivas, sobretudo na acústica do cinema.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Hotéis de uso misto na cidade de São Paulo

Vamos analisar exemplares de hotéis que surgiram na cidade de São Paulo no período de 1940 a 1960. Em 1941, o projeto do arquiteto Rino Levi para o Hotel Excelsior e Cine Ipiranga, um dos primeiros hotéis de uso misto da cidade é, também, um importante projeto a romper a barreira dos 20 andares, e que tornou-se marca e referência de uma geração.
O final da nossa pesquisa ficou com outro marco da hotelaria paulistana que é o Hilton Hotel. Mesmo fora do período delimitado deste estudo, o Hilton foi o primeiro hotel de uma rede internacional a se instalar em São Paulo, foi também um dos últimos hotéis modernos a ser construído na região central da cidade. Na década de 70, o eixo econômico e financeiro já se deslocara para a Avenida Paulista e os novos hotéis para suas ruas paralelas.
Nossas fichas apresentam uma sistematização de dados obtidos relativo aos dezenove hotéis selecionados. Nossa seleção se deu através de pesquisa nas principais revistas especializadas e outras fontes primárias do período.
Acreditamos na importância de criar um único parâmetro de análise para possibilitar dados de comparação entre os exemplares selecionados.
Outro aspecto estudado foram os atrativos urbanos de cada projeto o que o destacava na cidade e que muitos foram inovadores na arquitetura paulistana. Por exemplo, foi feita uma apresentação do atual estado de conservação do edifício e análises feita a partir de nossas visitas.
Hotel Excelsior localizado na Av: Ipiranga, 770. Seu arquiteto foi Rino Levi inaugurado em 4 de agosto de 1941.
Hotel Excelsior - SP
O Edifício deste hotel tem volumetria sólida teve no início dos anos 40, um grande desafio para a época agregar um cinema de grande porte e um hotel de tamanho nunca visto na cidade. O edifício tinha dosi grandes volumes bem definidos. No bloco horizontal localizavam-se os acessos distintos ao cinema e ao hotel, a sala do cinema e as dependências do hotel destinadas ao público em geral restaurantes e salas de convenções. O hotel localizava-se no bloco vertical.
O hotel, possui 183 apartamentos, 10 suítes e 2 apartamentos para deficientes físicos. Além disso, há seis salões de convenções totalizando 800 lugares. O mais glamouroso dos salões tem o nome do seu arquiteto e foi anteriormente, um dos restaurantes do hotel. No antigo restaurante, onde uma pequena concha acústica ainda é mantida, as refeições eram feitas ao som de uma orquestra. De acordo com a sua atual administradora, o Excelsior foi o primeiro hotel de São Paulo a ter um bufê com mais de 50 opções.

Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Uso de obras artísticas na parte pública dos hotéis.

A atividade artística era crescente na cidade desde os anos 20 e a ausência de espaços específicos ocasionava uma grande improvisação de locais destinados à exposição dos grandes artistas. Novos espaços de exposição surgem, outros são improvisados em hotéis, livrarias, casas comerciais e até cinemas junto à área do triângulo central da cidade.
No final dos anos 40, com a criação dos Museus de Arte, o MASP foi inaugurado em 1947, à cidade assumiu sua veia artística e incorporou grandes obras de arte e seus novos edifícios.
A presença de escultores e pintores convidados a compor os novos projetos era marcante. A síntese das artes estava presente na produção hoteleira paulistana.
Hilton Hotel Av: Ipiranga - SP
A arquitetura, como arte-mãe agregava as demais formas artísticas do período. Destacavam-se neste aspecto os hotéis Comodoro e Jaraguá, ambos com importantes painéis de Potinari e Di Cavalcante, respectivamente.
Fato relevante foi o crescimento da indústria de móveis e equipamentos específicos. A fabricação de móveis deixava a escala artesanal ou a importação e ganhava a escala industrial nacional. À medida que os novos edifícios pontuavam no cenário paulistano, a indústria de móveis e decoração ganhava espaço na mídia e era valorizada pela sociedade. Era a valorização das artes decorativas, um importante fator que ocorreu no início do século na Europa e que neste período ganhou raízes na indústria paulistana.
Os hotéis estavam ligados ao processo de crescimento econômico e à expansão urbana da cidade e instalavam-se junto aos principais espaços e intervenções que ocorreram em meados do século XX.
Nesta fase, a maioria dos hotéis estava concentrada em duas áreas da cidade.
A primeira área, localizada no eixo Luz-República, era muito valorizada na cidade, sobretudo após a remodelação da Avenida Ipiranga tornando-se um grande boulevard. A segunda área, recém-inaugurada era a região da Praça da Bandeira – Av Nove de Julho, uma das mais importante ligações Norte-Sul da cidade.
Havia uma crescente exploração do lote urbano e da sua relação com as principais vias de acesso que surgiam na metrópole. O principal exemplo desta relação era o caso dos projetos de esquina. O lote urbano teve grande influência na configuração dos edifícios. De maneira audaciosa, muitos deles refletiram no partido arquitetônico adotado por suas edificações. Os hotéis São Paulo, Terminus, Inca, Brasilar, Esplendor, Othon, Jaraguá e Hilton ilustram esta relação do edifício com a cidade.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Arquitetura moderna e industrialização na Metrópole

A adoção da arquitetura moderna e a industrialização possibilitaram a produção de elementos em grande escala, maior agilidade e menor tempo de obra, para uma cidade que buscava um crescimento rápido e lutava contra o tempo curto estas foram as respostas necessárias para sua escolha. Deste modo, a evolução dos novos hotéis que surgiram na cidade não demorou a mostrar novidades e, sobretudo, grandes inovações.
Conjunto Nacional - Av Paulista - SP
Sobre a volumetria dos hotéis, a maioria dos novos hotéis nos anos 40 e 50 romperam o gabarito dos 10 andares e utilizaram-se de fachadas despojadas e limpas de ornamentos.
Sobre as novas fachadas, como vários projetos produzidos naquele período, a lógica de volumes sobrepostos foi reforçada, exemplos diversos surgiram na cidade: o Conjunto Nacional, o Edifício Nações Unidas e o Banco Sul Americano eram exemplos de belas edificações na cidade. Não se tratavam mais os edifícios isolados na cidade, porém volumes integrados entre si e ao ambiente urbano.
A mudança das características estéticas dos hotéis tem, a nosso ver, dois momentos distintos na cidade de São Paulo. O primeiro, visível na menor parte dos projetos evidenciava edifícios de porte menor, menor gabarito e menor arrojo no programa e na estética de suas fachadas.
A segunda fase foi mais audaciosa. Os novos edifícios romperam as alturas dos demais e muitos se destacaram no skyline da cidade e muitos representaram um momento de arrojo tanto construtivo como estético.
Sobre o programa, este foi incrementado com a adoção de usos mistos e a adoção de novas tecnologias construtivas, o que possibilitava o melhor aproveitamento dos andares térreo e tipo, com soluções de plantas mais racionais e maior aproveitamento do espaço.
A relação público-privado foi expressa nas soluções dos novos projetos. O tratamento dado aos acessos principais e, em especial, ao pavimento térreo recebeu atenção dos arquitetos da época. Havia na fachada e nas plantas da maioria dos projetos analisados, duas grandes divisões a primeira um claro embasamento que reforçava uma área comum do projeto. Este elemento relacionava-se com a escala e o nível do pedestre. Era, em geral, onde estavam localizados os cinemas, lojas, restaurantes, e bares, e em muitos casos, o acesso do automóvel. Era como se o edifício convidasse a sociedade a conhecê-lo. Os primeiros andares eram permeáveis ao pedestre.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)