quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Os hotéis na década de 50.

A demanda pela produção hoteleira mostrou-se nos anos 50, uma temática que rompeu as pranchetas dos grandes arquitetos e encontrou nas pranchetas das Faculdades de Arquitetura um repertório vasto para o uso de novas técnicas e posturas estéticas.
Em 1951, Oscar Niemeyer realizou o projeto de um hotel em Diamantina, um exemplar arrojado da arquitetura moderna onde o uso de pilotis em forma de “V” representou uma inovação estrutural como também na concepção das fachadas. Ainda em 1951, Henrique Mindlin apresentou na Revista de Arquitetura e Engenharia o projeto de um hotel de luxo na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. A solução laminar adotada neste projeto seria novamente utilizada pelo arquiteto em projeto da mesma época para o Hotel Copan em São Paulo, projeto não realizado.
Edifício Copan no projeto original seria um Hotel
Em 1951, a bienal de São Paulo apresentou o projeto de um hotel para viajantes de Roberto Pinto Monteiro, aluno do 4º ano de arquitetura da Universidade de São Paulo. O Hotel em São José dos Campos com 80 quartos e instalações sanitárias exclusivas.
A revista Habitat, número 21, de 1955 apresentou um artigo sobre o projeto de um hotel elaborado pelos alunos da Faculdade de Arquitetura Mackenzie. O tema e o programa propostos pelo arquiteto Christiano Stocker das Neves evidenciaram uma grande preocupação com os novos temas da época: o automóvel, a tecnologia e os edifícios de grande porte.
Estes projetos, aliados aos que despontavam na cidade de São Paulo mostravam uma mudança na maneira de projetar e construir os novos hotéis das grandes cidades. Evidenciaram uma mudança de comportamentos e posturas sociais. O uso de programas mistos, preocupações urbanas e a escala urbana dos projetos evidenciam esta mudança.
Em São Paulo, a produção arquitetônica hoteleira era deferente da produção realizada no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras. A influência da cultura e da produção americana foi um dos fatores cruciais para a compreensão dos exemplares que iremos apresentar.
Como vimos os edifícios que surgiram na cidade apresentaram grandes semelhanças com os edifícios construídos nas grandes cidades americanas, principalmente Nova Iorque e Chicago. Em meados dos anos 50 o esforço de retomada do setor hoteleiro chegou redobrado à cidade de São Paulo em virtude da comemoração dos IV Centenário.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Grandes hotéis e a arquitetura moderna brasileira da década de 40.

Importantes arquitetos contribuíram para a solução dos hotéis nas grandes cidades brasileiras. O que segue é um pequeno recorte que esclarece alguns aspectos deste percurso. O encontro da arquitetura moderna com a produção hoteleira foi um encontro tímido e no início muito restrito. Poucos eram os projetos de hotéis e poucos eram os arquitetos que se dedicavam aos projetos hoteleiros. No entanto, a partir dos anos 40, com o crescimento das cidades e a necessidade de modernização do setor, esta relação mudou e os projetos começaram a aparecer no cenário brasileiro sendo divulgados através de concursos e artigos das principais revistas da época.
Hotel Quitandia - Petrópolis -RJ
Em 1940, Oscar Niemeyer fez o projeto do Grande Hotel de Ouro Preto. Conforme descrição de Bruand: “tratava-se de construir, no centro da capital da antiga capitania de Minas Gerais, um edifício moderno, que correspondesse às necessidades do turismo”... Niemeyer mantinha a ideia de uma edificação francamente moderna não só pela técnica, como também pelos aspectos internos e externos...
Em 1944 foi a vez de Lúcio Costa apresentar o belíssimo Hotel do Parque São Clemente, em Nova Friburgo. O projeto como descreve novamente Bruand é: “uma obra marcante uma magnífica demonstração das possibilidades de uma arquitetura contemporânea livre de todo complexo ou preconceito em relação ao passado... o hotel Parque de São Clemente é integralmente moderno tanto no espírito quanto no tratamento”...
No mesmo ano, os irmãos Roberto apresentaram o projeto para a Colônia de Férias na Tijuca.
Do ponto de vista econômico, a década de 40 foi um momento de grande desenvolvimento da hotelaria brasileira. Naquela época foram construídos grandes hotéis/cassino como o Parque Balneário, em Santos, o Grande Hotel de Poços de Caldas, o Grande Hotel São Pedro, e o Quitandinha, em Petrópólis. Com a proibição do jogo em 1946, a hotelaria voltou a atender exclusivamente o setor de negócios e teve um crescimento pouco significativo até meados da década de 50.
A demanda pela produção hoteleira mostrou-se, nos anos 50, uma temática que rompeu as pranchetas dos grandes arquitetos e encontrou nas pranchetas das Faculdades de Arquitetura um repertório vasto para o uso de novas técnicas e posturas estéticas.
Em 1951, Oscar Niemayer realizou o projeto de um Hotel em Diamantina, um exemplar arrojado da arquitetura moderna onde o uso de pilotis em forma de “V” representou uma inovação estrutural como também na concepção das fachadas. Ainda em 1951, Henrique Mindlin apresentou na Revista Arquitetura e Engenharia o projeto de um hotel de luxo na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. A solução laminar adotada neste projeto seria novamente utilizada  pelo arquiteto em projeto da mesma época para o Hotel Copan em São Paulo, projeto não realizado.

Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Plano ao Fomento de Turismo do Estado de São Paulo

Havia, nos projetos hoteleiros, a procura pela valorização do especo urbano com acessos menos restritos modificando-se os espaços fechados e ampliando-se os espaços internos, integrando novas funções aos edifícios da cidade. A preocupação dos arquitetos recaía na influência que a forma do espaço criado podia ter na qualidade das interações humanas.
Os novos hotéis visavam à valorização das relações entre as pessoas e a cidade. Havia na cidade um frenético glamour social e cultural que deveria ser explorado.
As varias funções incorporadas em um mesmo edifício foram trabalhadas como o grande desafio da nova arquitetura.
Hotel Excelsior- Av Ipiranga -São Paulo
Aliado a nova arquitetura estava o grande desafio da cidade no período: a verticalização e o adensamento da região central. No livro de Rino Levi Arquitetura e Cidade a descrição do projeto do Hotel Excelsior sintetiza perfeitamente esta questão. “Para melhorar o prestígio da recém alarga Avenida Ipiranga, o projeto acomoda as demandas de programa do cliente às dimensões exíguas do lote, o que resultou numa alta concentração de área construída”.
O Hotel Metropolitano termo adotado pela revista Acrópole, em 1943 no artigo intitulado “Particularidades na construção de hotéis modernos”, teria de harmonizar-se com a vizinhança urbana, devendo se exprimir num corpo linearmente simples. A beleza estética da construção resultaria infalivelmente da coordenação do aspecto exterior com as necessidades internas.
O artigo evidencia o desejo de modernizar a cidade, abandonando o seu antigo aspecto provinciano. A intensa verticalização como enfatiza Anelli era direcionada à construção da cidade modernizada difundida pelo cinema com as imagens de Nova Iorque, Chicago e outros grandes centros urbanos.
São Paulo, a cidade que mais crescia na América Latina, não poderia ficar para trás.
Porém, acreditamos que para melhor compreendermos a importância dos hotéis em São Paulo julgamos relevante analisarmos, primeiramente, alguns aspectos desta tipologia arquitetônica nos anos 40 e 50 nas demais cidades brasileiras. Para isto, vamos procurar entender como este tema se desenvolveu e também analisar o aumento significativo do número de hotéis no período.

Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

As alterações no setor hoteleiro de São Paulo

Diferente do Rio de Janeiro, São Paulo não dispunha de atrativos turísticos capazes de assegurar o crescimento do setor hoteleiro. Era necessário então, criá-los. Os hotéis na cidade eram poucos e muitos não comportavam as novas demandas.
Antigo Hotel Jaraguá, Hoje Novotel
A metrópole modernizada em que se transformava São Paulo precisava ir além das indústrias e das melhorias urbanas. Era necessário que os outros setores, como o comércio e demais segmentos do setor terciário se expandissem. Cresceram as redes de ensino, os cursos profissionalizantes os serviços pessoais, emergindo estabelecimentos de luxo como hotéis, restaurantes, bares, salões de beleza, clubes, saunas e outros mias.
Impulsionada pelo grande potencial de desenvolvimento econômico e produtivo da cidade e aproveitando-se dos festejos do IV Centenário, a prefeitura incentivava iniciativas capazes de contribuir com a configuração de uma fisionomia metropolitana.
Além disso, a Comissão do IV Centenário fez um levantamento dos equipamentos disponíveis na cidade, para suprir as necessidades dos festejos. Foi verificada a ausência de um número suficiente de hotéis, equipamentos esportivos além de um local propício para acomodar o centro das comemorações.
Em 1944, a revista Acrópole apresentou um Plano de Fomento ao Turismo no Estado de São Paulo. Elaborado pela Divisão de Turismo e Diversões Públicas do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda o plano visou a melhoria deste potencial e seu melhor aproveitamento.
O plano enfatizava um maciço investimento em Propaganda do Turismo, e, sobretudo, na valorização do potencial econômico-cultural procurando criar novos atrativos para fomentar o setor hoteleiro. Os projetos propostos pelo Plano de Fomento estavam intimamente ligados às atividades culturais e às principais atrações da cidade. O Plano destinava-se a construção dos seguintes estabelecimentos: Grande Hotel das Monções e Teatro Leopoldo Fróes (localizado na Praça da República); Hotel das Bandeiras e Parque do Ibirapuera (no Parque do Ibirapuera); Hotel Anhanguera e Teatro Apolônia Pinto; Hotel Jaraguá e Teatro Ismênia Santos; Hotel Porto Feliz e Teatro Vasquez (no bairro da Luz) entre outros.
O Plano evidenciou a preocupação com novas demandas da cidade e do setor hoteleiro. Podemos observar a intenção clara de modernizar e de propor os hotéis relacionados a atividades de lazer e recreação, como parques urbanos e principalmente ligados ao teatro como elemento cultural proeminente naquele momento.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O IV Centenário da Cidade de São Paulo

No início da década de 50 a cidade de São Paulo se deparou com um grande desafio : às comemorações do IV Centenário de São Paulo.
Edifício Copan - Obra de Niemeyer
Fruto de um complexo projeto que envolveu setores da sociedade, a comissão organizadora dos festejos era composta por membros representativos da força econômica e por representantes da classe intelectual como jornalistas, escritores e professores universitários.
A cidade se preparava para comemorar seu IV Centenário e deveria se consolidar como a “locomotiva da Nação”, termo frequente nas divulgações do período. A festa projetava-se como louvação e afirmação dos significados almejados por São Paulo diante do país. Havia claramente a procura a cada esquina, de um registro de uma metrópole que não parava de crescer, registro de uma cidade em franca modernização. As constantes obras, os novos edifícios e, enfaticamente, os novos projetos hoteleiros confirmavam o crescimento exagerado da cidade.
Para compreensão deste momento podemos utilizar o exemplo do edifício do Hotel Marian, que foi construído em apenas nove meses, como nos relatou seu atual administrador. Um marco para a sua época. Neste período a indústria e o comércio eram os poderios econômicos da cidade e não poderiam ficar dissociados dos eventos comemorativos.
Os hotéis inaugurados evidenciavam claramente esta preocupação. Para Lofego, o setor privado era aquele que procurava se filiar à ideia de modernização e progresso da cidade, mostrando as edificações modernas ou produtos de última geração, representação de novos tempos.
O IV Centenário trouxe uma história de superação e avanço tecnológico disponível aos paulistanos.
Vale a pena lembrar que a construção do Parque do Ibirapuera foi à demonstração da nova identidade a ser seguida. O projeto do Parque indicava o futuro promissor que encantava a todos. Os edifícios projetados por Niemeyer vestiram a cidade com obras modernistas de profunda singularidade, perspectiva esta que deveria se expandir aos demais edifícios projetados na cidade naquele período.
“A missão civilizadora presente voltada para o futuro, para a aspirada metrópole dos arquitetos modernistas, e de toda a sociedade paulistana,... implantou-se em São Paulo de forma reveladora”. Arruda

 Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A moderna sociedade Paulistana

A cidade de São Paulo, no pós guerra, década de 40, revelou-se um solo favorável onde diferentes correntes migratórias encontravam condições  para expansão e ocupação do espaço urbano. O ano de 1945 é um momento terminal do primeiro modernismo. “Trata-se da cultura no pós-guerra toma como referência o ano de 1945, considerado como o momento terminal do pós primeiro modernismo, muito embora rupturas e até redirecionamentos de perspectivas viessem se impondo desde os anos vinte e, fortemente nos trinta”.
O papel das Bienais e dos novos Museus que surgiram na cidade teve caráter decisivo para a promoção das novas linguagens.
Vale do Anhangabaú 1940
Os primeiros grandes investidores da arquitetura hoteleira eram os ricos imigrantes que observavam na emergente indústria, no crescimento da produção imobiliária, crescente demanda na falta de oferta do setor hoteleiro e, sobretudo, nos incentivos fiscais da prefeitura, um fomento para a construção de novos hotéis na cidade.
Imigrantes como Buchard, Crespi e Maluf viram, na indústria hoteleira dos anos 40, um lacuna que deveria ser preenchida em breve, sobretudo devido às comemorações do IV centenário.
Os imigrantes também foram responsáveis pela propagação da arquitetura moderna nos novos projetos. Muitos destes investidores eram grandes entusiastas do estilo qu despontava na Europa desde o início do século e que era fortemente vinculado a um movimento de ruptura com o passado agrário.
“Além da experiência empresarial, a cultura cosmopolita dessa imigração introduz um número de artistas e professores de arte e música... a linguagem moderna fazia parte do universo cultural desses empreendedores.”
O Movimento Moderno em Arquitetura que levava em conta a presença das “massas” urbanas defende, nos anos quarenta, a criação de um novo “modo de vida”.
Os tempos eram novos e arquitetura também deveria ser.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“São Paulo não para em uma fotografia, move-se num filme”.

A modernização gerada pela industrialização e pelos avanços tecnológicos germinou na cidade, como afirma Maria Arminda, um verdadeiro rompimento com o passado.
A arquitetura moderna será um importante elo entre a revolução industrial e a ruptura com o passado. Novas técnicas, novos materiais enfatizaram na cidade a ruptura tão desejada. O valor ético da nova arquitetura supera seu valor estético.
A afirmação do progresso estava fortemente vinculada a uma separação severa com o passado e a uma visão soberana do futuro.
Painel de Di Cavalcanti no Hotel Jaraguá
No imaginário da época o passado real foi destruído e ao mesmo tempo, outro, heroico, simbólico, ainda que simulacro do que existiu, foi construído.
A História passa a ser a segurança necessária para as novas gerações. Por isso foi necessário recriá-la. O controle sobre o passado era fundamental. Naquele período a figura heroica dos Bandeirantes foi enaltecida na cidade. A ruptura com o passado ocasionou a substituição das antigas classes dominantes e uma grande mobilidade de classes. A presença do operariado se fez notar na metrópole.
A cultura, conforme descreve Arminda Arruda, desfrutou desta ruptura. Ocorria na cidade a substituição dos antigos mecenas. Lofego admite que as atividades da cultura no ideário dos anos 40/50 tinham o propósito de produzir uma intensa vibração cívica, uma unidade que até então não existia na cidade. Eram presentes na cidade painéis e obras que expressavam as mudanças sociais ocorridas e a valorização do passado heroico do paulista. A arquitetura hoteleira com a presença dos painéis de Di Cavalcanti, que definia a obra de arte como sendo uma síntese, no Hotel Jaraguá e Portinari no Hotel Comodoro eram um importante meio para a propagação desta nova fase cultural e social da cidade.
A sociedade paulistana passou a exigir projetos que respondessem aos novos anseios dos anos 50. O automóvel, o tempo, a máquina, o lazer se tornaram temáticas importantes e deveria ser respondidos em um só edifício. As tipologias edificadas pelos arquitetos modernos eram o anseio desta sociedade. Segundo Fernando Viegas, arquiteto idealizador do Conjunto Nacional, o arquiteto atuava com grande responsabilidade inédita no uso de técnicas para a construção de espaços para o convívio social. Tinha o respaldo de uma sociedade que acreditava na arquitetura como uma atividade de interesse público como manifestação cultural.
Segundo artigo da Revista Acrópole, a zona central da cidade encontrava-se em “plena fase de remodelação, conta com numerosos edifícios altos, de arquitetura moderna que caracterizam a metrópole progressista que é São Paulo”.


Bibliografia: Monteiro – Ana Carla de Castro Alves – Os hotéis da Metrópole- O contexto histórico e urbano da cidade de São Paulo através da produção arquitetônica hoteleira (1940 – 1960)