domingo, 9 de janeiro de 2011

Onde é o centro de São Paulo, 1915

Eu considero centro o antigo triangulo formado pelas ruas Quinze de Novembro, São Bento e Direita, mas meu filho, quando diz- eu vou à cidade, tanto pode ir à Avenida São João, à Ipiranga, à Praça da República, às Ruas Barão de Itapetininga, Sete de Abril ou Marconi; quando vai ao triangulo não diz- “vou à cidade” – diz vou à Rua tal ou tal outra.anhangabau-1915

Um historiador ou cronista situa o centro no Pátio do Colégio, e um engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem refere o marco rodoviário do Largo da Sé como o centro de São Paulo.

E as moças que vão às compras dizem que vão à cidade, referindo-se às ruas Barão de Itapetininga e Marconi.

Mas o verdadeiro centro, em 1915 era o triângulo; já em 1935 o centro limitava-se pela Rua Boa Vista, Largo do Palácio, Largo da Sé, Rua Direita até José Bonifácio, um trecho da rua Líbero Badaró, até o Viaduto do Chá, Praça Ramos de Azevedo e Conselheiro Crispiniano até o Largo do Paissandu, Avenida São João, Rua Líbero Badaró até o Largo de São bento e Rua da Boa Vista, de onde iniciamos este perímetro.

Em 1935 o triangulo ainda concentrava tudo o que havia de importante.  As casas de modas, os alfaiates,as chapelarias, as confeitarias, as “bombonières”, as lojas de flores, os bancos e duas ou três “Casas dos Dois Mil Réis”, não vendiam nada acima de dois mil reis.

Desde 1915 São Paulo começava a tomar consciência de que seria uma grande cidade.

Iniciava-se o alargamento da Avenida São João, pela demolição, na Praça Antônio Prado, da Confeitaria Castelões e da Chapelaria Alberto. Encontra o Mercadinho e derruba-o, e, ao sair do Largo de Paissandu, deixa de pé, por longo tempo, o primeiro prédio do lado par. Em 1933 atingiu a Praça Marechal Deodoro, aberta nesse tempo, e seguiu até a rua Lopes de Oliveira.

Daí para diante, foi completada há uns oito anos, encontrando-se com a Avenida Água Branca (atual Francisco Matarazzo).

Alarga-se a Rua Libero Badaró, demolindo-se a casa da Baronesa de Itapetininga e uma série de casinhas que dava fundos par o Vale do Anhangabaú, e o Conde Prates constrói os dois palacetes, um dos quais onde funcionou por longos anos a Câmara Municipal e no outro esteve por alguns anos o Automóvel Club.

Vão se alargando, casa por casa, segundo os pedidos de alvarás, para construções, as ruas Quintino Bocaiuva, Benjamim Constant e Senador Feijó.

Retifica-se, como possível, a rua Quinze de Novembro. Abre-se a pequena rua Senador Paulo Egídio, entre o Largo de São Francisco e a rua José Bonifácio. Alarga-se a rua Cristóvão Colombo, onde começa a Brigadeiro Luiz Antônio.

Ajardina-se o Vale do Anhangabaú, com ruas sinuosa e lindas árvores de flores amarelas. Constrói-se, porém atravancando o parque, o edifício do Cinema Central depois demolido. E na encosta do Teatro Municipal, constrói-se o conjunto monumental de Carlos Gomes , e planta-se uma curva de palmeiras imperiais.

É São Paulo caminhando em direção a megalópole que se tornou.

Bibliografia:

Americano Jorge, São Paulo nesse tempo 1915-1935

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Leis que mudaram a paisagem urbana

Na última década do século XIX a administração municipal de São Paulo tinha pressa em transformar a cidade. Um novo tempo se avizinhava e as transformações vividas pela elite nas capitais da Europa forçavam a onda de mudanças no traçado urbano da acanhada e tímida São Paulo de antanho.

Esquina de Ipiranga com São Luiz

Assim a Lei nº 208 – 09/03/1896 autoriza concerto e calçamento de diversas ruas. Entre as ruas que sofreram mudanças no distrito República de hoje são: retificação dos níveis dos passeios do Largo do Arouche, entre as ruas Dona Maria Theresa e Sebastião Pereira, Rego Freitas e Amaral Gurgel. E também calçamento a paralelepípedos na rua Barão de Itapetininga, entre o Viaduto do Chá e a rua Conselheiro Crispiniano. Neste mesmo ano a lei nº 246 autoriza em caráter de urgência as obras de ligação da rua Amaral Gurgel á da Consolação. Depois foi a vez da lei nº 272 em 28 de agosto de 1896 que autoriza melhoramentos em diversas ruas entre elas na rua do Ipiranga, na parte compreendida entre a rua São Luiz e Araújo. Neste espaço a rua Araújo transformou-se uma pequena rua com uma praça no seu começo, onde encontra com a rua Ipiranga. A praça que hoje temos só foi passível graças a lei nº 413 de 8 de agosto de 1899 que autorizou o prefeito a desapropriação de um terreno e parte de uma casa na rua Araújo.

Estes dez últimos anos foram anos de preocupação com o distrito era a preocupação de “europeizar”, a parte nova da cidade. Afinal a cidade deveria crescer para oeste. Assim, não é de se estranha que a lei 385 de 21 de março de 1899 autorize o prefeito o mandar construir passeio na saída do Viaduto, do lado da rua Barão de Itapetininga. Depois foi a vez da rua Xavier de Toledo que tinha no Paredão dos Piques um constante construir e desbarrancar de paredões pó causa das infiltrações, a construção definitiva só aconteceu em 1938.

Em 08 de agosto de 1899 foi à vez de tornar o Largo do Arouche mais aprazível.

Em janeiro de 1900 procedeu-se o calçamento da rua São Luiz, em 3 de abril ficou autorizado o calçamento da rua Formosa. Estas ruas foram calcetadas e receberam árvores nas laterais.

Na sessão de e de novembro de 1900, o vereador João Pedro da Veiga Filho, através da indicação sugeria a demarcação do patrimônio municipal. Afinal, precisava ser distinguir os terrenos dados em enfiteuses e arrendamentos dos terrenos baldios necessários ou não a logradouros públicos... ”o que havia era um caos, onde ninguém se entendia”... e o pouco que se conhece era mais por esforço de memória de um ou outro funcionário cuidadoso do que por escrituração regular e exata... e o foral de cuidadoso do que por uma escrituração regular e exata... e o foral de 18 de março de 1660 dava uma superfície de seis léguas de raio, extensão essa alias não demarcada e da qual vários foram os desmembramentos pela criação de outras vilas, domínio adquirido por prescrições, as cartas de data, as posses dos primeiros ocupantes legítimos na forma da lei nº 601, de setembro de 1850, e modernamente as concessões para os Voluntários da Pátria.

Bibliografia

Jorge, Clóvis de Athayde - Consolação uma reportagem histórica

domingo, 26 de dezembro de 2010

Escola Normal Caetano de Campos – Praça da República

Em 1894, cinco anos após a proclamação da República, a Escola Normal de São Paulo foi instalada em edifício especialmente construído para esse fim na Praça da República. A escola depois foi chamada de Escola Normal da Praça da República; em seguida, de InstituCaetano de Campos 1895 Marc Ferrazto de Educação Caetano de Campos; posteriormente, de EEPSG Caetano de Campos. Hoje funciona no local a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
A Escola Estadual Caetano de Campos nasceu em 1846, a partir das determinações do Ato Adicional de 12 de agosto de 1834, que conferia às províncias a atribuição de legislar sobre a instrução pública, inclusive criando estabelecimentos próprios para tal fim. Com essa responsabilidade, foram fundadas nas diversas províncias – Rio, Minas, Bahia e São Paulo – as primeiras Escolas Normais. Seu primeiro prédio foi junto à Catedral do Largo da Sé. Ao longo de sua história, a escola chegou a ser extinta duas vezes e mudou diversas outras de prédio; em 1875 instalou-se junto à Escola de Direito do Largo São Francisco, em um edifício que mais tarde sediaria a Câmara Municipal. Depois foi transferida para um sobrado na Rua do Carmo, para a Praça da República, para o antigo prédio do Colégio Porto Seguro, na Praça Roosevelt, e, finalmente, para a Rua Pires da Mota, no bairro da Aclimação, onde está até hoje.

A mudança para a Praça da República em 1894, bem como a sua saída em 1978, caracterizam momentos significativos no estudo da relação da escola com a cidade. A construção de um prédio escolar na Praça da República assumiu um significado especial nos rumos que a educação tomava no país e, em particular, na província de São Paulo, bem como afirmou o rumo de crescimento da cidade.

Se desde a colônia a educação esteve sob responsabilidade da Igreja ou de instituições religiosas, a construção da Escola Normal em terreno do antigo Largo dos Curros (atual Praça da República) marcou a orientação laica dos valores da Primeira República. Foi o governador da província de São Paulo (Francisco Rangel Pestana) que em 1890 autorizou a transferência de 200 mil cruzeiros que seriam dedicados à construção da Escola Normal.

O prédio novo da Escola Normal tornou-se um símbolo da República e fixou-se como referência e polo diEsc_NormalCaetano de Campos 1940fusor de teorias científicas e pedagógicas. O conceito de Escola Modelo era aplicado à Escola Normal, para os alunos de 11 a 14 anos como para as crianças menores, no jardim-de-infância que se situava nos fundos da edificação

Quando em 1894, se inaugurou o prédio, a escola era circundada de residências de alto padrão. O investimento público na educação consolidou uma direção de crescimento da cidade – a direção oeste.

No andar térreo do prédio funcionava a Escola Modelo; em um anexo localizava-se o curso complementar; ao fundo, em uma construção independente, ficava o jardim-de-infância, demolido em 1940 para a ampliação da Avenida São Luís.
O edifício ocupa uma das faces da Praça da República e é absolutamente simétrico. Esse fato não se deve exclusivamente a razões de composição arquitetônica. As duas alas simétricas serviam como divisão entre os sexos: a ala leste era feminina e a ala oeste, masculina. O prédio também tinha função monumental, era símbolo de um novo regime, a República, representação de uma nova maneira de pensar o futuro do país.

O final do século XIX foi marcado pelo fortalecimento da indústria e, portanto, estava nascendo à cidade industrial. A história do edifício da Praça da República confunde-se com a da cidade, tanto na sua expansão como na sua transformação e arquitetura.
Quando da construção da Estação República do Metrô o Jardim-da-infância foi demolido e o edifício ameaçado de demolição pela Companhia do Metrô de São Paulo.
A ameaça de demolição pôde ser contida por uma mobilização da sociedade. Porém, o edifício deixou de ser escola e passou a sediar uma Secretaria de Educação do Estado.

A resistência à demolição do prédio reuniu as forças democráticas da sociedade de 1978. Acreditamos, no entanto que o patrimônio não é apenas o edifício histórico é também seu uso.

Em 1894 o edifício da Caetano de Campos simbolizava os ideais recém-vitoriosos de formação da República.
O distrito República é hoje o mais denso no que diz respeito à moradia de toda a Regional da Sé. Sendo assim, uma escola na região, não seria obsoleta: ao contrário, teríamos um equipamento que poderia ser muito bem aproveitado e desfrutado pela população do local.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Xavier de Toledo uma rua com inflexão

 

A Lei n° 1898 21 de julho1915 aprovou o novo alinhamento projetado para a rua Xavier de Toledo, lado par, no trecho entre as ruas Sete de Abril e Bráulio Gomes. No entanto, se fez necessário o lei nº 2.323 de 30 setembro de 1920 para aprovar o novo plano de alinhamento adotado para a rua Xavier de Toledo que passaria a ter a largura de 25m no trecho compreendido entre as ruas Barão de Itapetininga e Sete de Abril, com recuo dos prédios do lado da numeração par. Deste ponto, assinalado na planta pela letra altA, onde a rua Xavier de Toledo faz uma inflexão, a largura será traçada uma linha reta até o cruzamento com a rua São Luiz (Letra B), sempre com a largura de 25m. E de fato quem hoje travessa a rua tem problema de visibilidade do trânsito por causa de uma curva natural do terreno que faz com que a rua seja formada por duas retas. Uma entre as ruas Sete de Abril de Barão de Itapetininga e outra reta entre as ruas Bráulio Gomes de São Luiz.

Para executar esta obra a lei n° 2.359 de 02 de fevereiro de 1921 aprovou o acordo feito entre a prefeitura e os proprietários dos prédios n° 38,40 e 42, da rua Xavier de Toledo, necessários ao alargamento desta rua .Acordo celebrado com o prefeito e com Luiz Ribeiro Martins Vieira e sua mulher D. Julieta Reis Teixeira Vieira 25m,.

A Resolução n° 196 de 1921 aprova o acordo feito pela Prefeitura com José Velletri e sua mulher, para o recuo do prédio n° 16 da mesma rua Xavier de Toledo, de sua propriedade. Ficando os contratantes indenizados da construção e terreno com a área de 13,13m de frente por 12,40m de fundo, que será incorporado ao patrimônio público, e obrigando-se a reconstruir nova fachada sobre o futuro alinhamento.

A Lei nº 2.501 de 21 de junho de 1922 aprovou o acordo feito pela prefeitura com os proprietários do prédio nº 64 da rua Xavier de Toledo. E assim, uma após outra as desapropriações foram dado lugar a uma nova São Paulo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Transformações no centro de São Paulo na década de 20

Nos anos vinte a sociedade brasileira viveu um período de grande efervescência e profundas transformações.

O ano de 1922, em especial, aglutinou uma sucessão de eventos que mudaram de forma significativa o panorama político e cultural brasileiro. A semana de Arte Modalterna, a criação do Partido Comunista, o movimento tenentista, a criação do Centro Dom Vital, a comemoração do centenário da Independência e a própria sucessão presidencial de 1922 foram indicadores importantes dos novos ventos que sopravam, colocando em questão os padrões culturais e políticos da Primeira República.

A cidade de São Paulo não poderia ficar fora destes novos ventos e começou com a lei nº 2.445 de 05 de janeiro de 1922 que autoriza a Prefeitura a despender até a quantia de 427:752$000, com a execução de diversas obras no Viaduto de Santa Iphigenia. Obras de alargamento da via carretável, afastamento dos passeios laterais, reforma do calçamento e limpeza e pintura da estrutura de metal do viaduto.

A cidade se apontava para os novos tempos que se avizinhavam lei nº 2.451 de 14 de outubro1922 que autorizou a Prefeitura a modificar o emplacamento das ruas e prédios da cidade de São Paulo. Assim, a Prefeitura estava autorizada a modificar o emplacamento das ruas e prédios da cidade de São Paulo, de acordo com a presente lei, devendo a nova numeração começar a vigorar da data que for por ela designada, com antecedência de sessenta dias.

Também por força de lei municipal a Alameda Barão de Limeira passou a ter seu término na Av: São João e para isso a lei n° 2.491 de 30 de maio1922 declara de utilidade pública diversos prédios e terrenos situados às ruas General Osório, Conselheiro Nébias, Victoria, São João e Aurora. Depois foi a vez da lei n° 2.505 de 27 junho de 1922 que aprovou o acordo feito pela Prefeitura para a aquisição do prédio nº 176 da Avenida São João, necessário ao prolongamento da Alameda Barão de Limeira. Eram os passos largos dados em direção a tornar a São Paulo provinciana na metrópole eu hoje conhecemos.alt

Do ponto de vista econômico, a década de vinte foi marcada por altos e baixos.

Se nos primeiros anos o declínio dos preços internacionais do café gerou efeitos graves sobre o conjunto da economia brasileira, como a alta da inflação e uma crise fiscal sem precedentes, por outro também se verificou uma significativa expansão do setor cafeeiro e das atividades a ele vinculadas. Passados os primeiros momentos de dificuldades, o país conheceu um processo de crescimento expressivo que se manteve até a Grande Depressão em 1929. A diversificação da agricultura, um maior desenvolvimento das atividades industriais, a expansão de empresas já existentes e o surgimento de novos estabelecimentos ligados a indústria de base foram importantes sinais do processo de complexificação pelo qual passava a economia brasileira.

Junto com estas mudanças observadas no quadro econômico processava-se a

ampliação dos setores urbanos com o crescimento das camadas médias, da classe trabalhadora e a diversificação de interesses no interior das próprias elites econômicas.

Em seu conjunto estas transformações funcionariam como elementos de estímulo a alterações no quadro político vigente colocando em questionamento as bases do sistema oligárquico da Primeira República(1).

(1)FERREIRA, Marieta de Moraes; PINTO, Surama Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a Revolução de Trinta . Rio de Janeiro: CPDOC, 2006. 26f.

domingo, 28 de novembro de 2010

Largo do Arouche, entre a praça de tiro e o local aprazível

No início do século XIX, toda a área hoje conhecida como "Vila Buarque" era de propriedade do Tenente General José Arouche de Toledo Rendon que nasceu em São Paulo em 14 de março de1756 e faleceu em 26 de junho de 1834 também em São Paulo. Era o único filho varão do mestre-de-campo Agostinho Delgado Arouche. Mercado-das-Flores

O General Arouche foi o introdutor da cultura do chá na cidade de São Paulo, por volta de 1820, transformou toda a sua chácara numa imensa plantação com mais de 54 mil pés. Em 1811 Arouche oficiou a câmara nos seguintes termos: “Por não haver dentro da desta cidade nem em seus subúrbios uma praça em que se possa disciplinar os melicianos por brigadas, tomei a resolução da fazer desterrar e aplainar a Praça denominada da Legião, a custa dos melicianos desta cidade que voluntariamente querem para isso concorrer com porção módica. Esta dita praça foi por mim demarcada quando por ordem do senado retalhei, arruei e demarquei a Cidade Nova. Então lhe pus o nome de Praça da Legião, na espera de eu este Corpo com sua gente a procurasse para exercícios das suas três armas”. Assim ficou implantado em sua propriedade uma praça para exercícios militares que englobava os atuais "Largo do Arouche" e "Praça da República".

No seu interior no largo havia uma pequena lagoa que foi aterrada nos últimos anos do século XIX. Nesse sentido, a antiga "praça da Legião" passou a ser conhecida também como "Tanque do Arouche". Em 1865 o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, ao realizar uma revisão dos nomes das ruas de São Paulo, alterou aquela denominação para "Campo do Arouche". A partir de sua urbanização e calçamento em finais do século XIX, adotou-se informalmente o nome de "Largo do Arouche". Em 1910 (Lei 1.312 de 26/04) parte do largo, entre as ruas do Arouche e Sebastião Pereira passou a chamar-se "Praça Alexandre Herculano". Em 1913, através da Lei 1741 de 18 de setembro, revogou-se a Lei 1.312 e todo o espaço voltou a ter a denominação de "Largo do Arouche".

O córrego do Carvalho era formado pelo transbordamento do Tanque do Arouche como explica Afonso Antônio de Freitas “formavam córrego atravessando o Largo do Arouche e correndo entre as ruas Maria Thereza e Sebastião Pereira na direção da atual rua Frederico Steidel hoje Avenida São João e alameda Helvetia indo formar nova e mais volumosa lagoa entre a alameda Glete, Barão de Limeira e alameda Nothmann a qual transvasava para em seguida formar o córrego do Carvalho”. Hoje em frente à Secretaria de Educação do Estado e a Academia Paulista de Letras há um dreno de água cristalina lembrando a todos que ali há uma nascente.

Uma mudança na estrutura geográfica do largo foi feita para lei nº 2.798 de 18 de dezembro de 1924 quando foi autorizada “a abertura de uma rua que, partindo do Largo do Arouche, vai até a avenida São João”. A lei nº 2.884 de 10 de julho de 1925 cumpre a determinação da lei anterior eaprova o acordo feito para a aquisição de uma área sita entre os nºs 92 e 100 do largo do Arouche. O acordo foi feito “com d. ºMaria Athayde Bittencourt, constante do termo lavrado na diretoria de Patrimônio, em 19 de maio de 1925, para aquisição de uma área de 345 metros quadrados de terreno situado entre os nºs 92 e 100 do largo do Arouche, pela quantia de 80.000$000, área que se faz necessária a abertura de uma rua entre a avenida São João e o referido largo.

Já a lei 2.989 de 27 de julho de 1926 autoriza a abertura da rua, “em diagonal, na parte alta do largo do Arouche”, onde hoje esta a ligação entre o Largo do Arouche e a AV: São João.

Hoje o Largo do Arouche junto com a Praça da República formam um dos lugares mais agradáveis e aprazíveis do Distrito República no Centro de São Paulo.

Bibliografia:

Jorge, Clóvis de Athayde - Consolação uma reportagem histórica

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Praça da República é do povo

A Praça da República já foi palco de desfiles militares de 7 de setembro e 15 de novembro. Também serviu de palco para muitos outro eventos de cunho religioso das festas de Santa Cruz da rua do Pocinho, viela remanescente de 1847.

O presidente estadual Bernardino José de Campos Junior, ao decidir-se pela construção da Escola Normal Caetano de Campos, a partir de 1892, concorreria para a reurbanização da área e seu futuro.

Em 1897 o Circo Universal foi ali instalado com seus circos de cavalinhos, roda gigante e carrosséis mecânicos. A praça era o espaço preferido das trupes que passaram pela cidade no final do século XIX.

A cidade começava a crescer e a praça servia de pasto para animais e pouca gente se habilitava a construir suas casas naquele terreno baldio. Mesmo com as ruas Barão de Itapetininga e 24 de Maio terminando na sua proximidade.

O espaço começa a tomar a feição de praça quando a lei nº 300 de 26 de janeiro de 1897

autoriza vários melhoramentos na Praça da República. No entanto, a lei n° 542 de o8 de outubro de 1901autoriza o prefeito a mandar executar os serviços de melhoramentos e embelezamentos da Pça da República. E o seu aspecto muda completamente com algumas construções abeiradas na sua extensão pelo lado da atual avenida Vieira de Carvalho.

Reformada a partir de 1909, tornou-se ampla, arruada, arborizada e gramados onde se proibia pisar, sob pena de multa.

Em 1911 Bento Ribeiro dos Santos Camargo, poeta e teatrólogo residente na rua Bento Freitas, instalou na praça uma montanha russa que resultou em total fracasso financeiro.

Em 1919, quase esquina com a rua do Arouche foi construído um espaço para patins sobre rodas sobre. Foi outro fracaço financeiro e o espaço em 1921 se tornou o Cine República. Esta mesma construção em 1936 foi ocupado pela Recebedoria Federal que ao mudar para a rua Florêncio de Abreu, deixou o local vazio e, vez por outra era arrendado para clubes que ali promoviam bailes de carnaval. Em 1952 este espaço voltou a ser cinema com 2.254 lugares de poltronas estofadas. Em 1978 este cinema foi demolido e em seu lugar aberto o escritório do canteiro de obras metropolitano

A praça da Republica sempre foi reduto dos alunos do Colégio Caetano de Campos que não raro gazeteavam aulas pelos seus caminhos.

Hoje a escola é a Secretaria Estadual de Educação. Na sua frente e em uma das suas laterais estão as entradas para a estação República do Metro. Aos finais de semana a praça recebe a feira de artesanato mais tradicional da cidade e uma vez ao ano a feira cede espaço para a Virada Cultural.

Bibliografia: Jorge, Clovis de Athayde - Consolação uma reportagem histórica