sábado, 4 de maio de 2013

Cinemas do distrito República última parte

Cine Paissandu

A descrição do Correio Paulistano era mais entusiástica: “O UFA-PALACIO, o novo cinema de São Paulo, parece que saiu de algum livro de WeIIs. As suas linhas lisas e moderníssimas, o seu sistema de iluminação que, não fazendo sombra nos rostos, torna todo mundo mais bonito e mais jovem. As duas cores escolhidas para a decoração, o creme e o brique, tudo numa harmonia deliciosa torna o UFA uma sala de diversão como antes só fora vista nos próprios filmes. A sessão de ontem, dedicada ao mundo oficial, à imprensa e a um grande número de convidados, foi iniciada com um trecho de Carlos Gomes e causou impressão esplendida, não só como música, como a orquestra brotando do solo, para em seguida desaparecer, logo terminada a música”.
Nos dias que antecederam a inauguração, jornal cuidou de promover um concurso para saber qual filme alemão deveria ser exibido na abertura da sala, alimentando as expectativas com fotos dos diretores da UFA que deveriam chegar a bordo de um dingivel.
O vencedor, na preferência dos leitores foi Boccaclo, projetado na sessão de estreia.
Num momento em que o cinema americano ocupa a maioria das telas em São Paulo (e no resto do mundo), parece paradoxal que não sejam empresas americanas a investir na construção de cinemas, seguindo o exemplo da Paramount, e sim a UFA, empresa estatal alemã. Não deve ser desconsiderada a disputa diplomática que se desenrola a nível internacional, onde o cinema á arma valiosa para angariar simpatias. Ironicamente, a Inauguração do belíssimo e funcional UFAPALACE ocorre no mesmo dia em que as manchetes dos jornais paulistanos noticiam a entrada de Franco em Madri, bombardeada pela aviação nazista. Mas acima das questões ideológicas, o UFA deslumbrava por igual a todos os seus frequentadores. Foi um salto qualitativo na construção das salas e definiu de vez a localização da Cinelândia paulistana, território de contornos flutuantes, mas que sempre inclui a avenida São João, o Largo Paissandu, o Santa Efigênia, a avenida Ipiranga. Andando pela São João em direção ao bairro o limite ficará estabelecido com a edificação do Cine METRO.
Bibliografia: Simões Inimá – Salas de Cinema em São Paulo

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os melhores cinemas eram da Serrador

area interna do cine Metro

No topo da hierarquia cabe ao IPIRANGA o que havia de mais prestigioso nas Companhias distribuidoras. A segunda quota estava reservada ao ART-PALACIO e em seguida vinha o BANDEIRANTES. Todos da Serrador. Pelo censo de 1940, São Pauto tem uma população de 1.317.396 habitantes e a oferta de assentos nos cinemas da capital se aproxima dos 100 mil (mais exatamente 95.754), ocupados por 19.526.224 espectadores. Tais números mostram que o paulistano vai aos cinemas com assiduidade, uma frequência per capita de 15 ao ano. Nos cinco anos seguintes, mais de 20 salas são inauguradas e o aumento de público é mesmo superior ao crescimento demográfico. Ou seja, há um crescimento real de público, as pessoas vão mais ao cinema, não se trata apenas de um incremento numérico.
A Cinelandia, que abriga as principais salas - ARTPALACIO, AVENIDA, ÓPERA,BROADWAY, RITZ, IPIRANGA, METRO, MARABA, BANDEIRANTES, PARATODOS -, atrai a grande massa de público. Dentre as dez salas de maior frequência em 1945, seis delas estão ali.
O TABARIS, na rua Formosa, vizinho ao Frontão Nacional, templo da pelota, especializa-se nestes programas. Os títulos dos filmes são bastante sugestivos: Ginecologia e Obstetrícia, Rasputh e As Mulheres, geralmente películas antigas em que se faziam enxertos de cenas apimentadas. Em 1935, a Platea publica o anúncio: “cine TABARIS, rua Formosa, 18-A. Hoje, a partir das 14 horas, sessões corridas com a exibição do grandioso filme do gênem ‘só para adultos’: Vício e Perversidade Magníficas cenas de forte realismo e nu artístico: PROHIBIDO para menores e senhoritas”.
O centro da cidade, não obrigatoriamente o geográfico, mas o que se torna referência obrigatória, ponto de passagem inevitável que parece concentrar a alma da cidade, inicia o seu deslocamento - abandonando o triângulo formado pelas ruas Direita, São Bento e XV de Novembro - em direção à avenida São João e arredores, onde já se concentram hotéis luxuosos, leiterias, casas de chá, lojas modernas e cinemas. O UFA-PALACE, por exemplo.
O UFA-PALACE está à altura do progresso de São Paulo, dirá mais uma vez o cronista da época. Sua edificação expressa nova maneira de conceber uma sala de cinema, pelo menos aqui entre nós. O projeto de Rino Levi está alerta a uma infinidade de detalhes. A visibilidade do espectador deverá ser perfeita de todos os pontos, observando sempre que uma linha dos olhos até o limite da tela não pode ser interceptada por nada, pela cabeça de ninguém. São feitos estudos de acústica, iluminação, ventilação, acessos, qualidade de projeção, resultando num conjunto funcional e confortável.
A construção, de responsabilidade da Sociedade Construtora Brasileira Ltda., é iniciada em 15 de maio de 1936 e concluída ao final de outubro. São 3.139 lugares, divididos entre a plateia (1.860 poltronas) e o balcão (1.279). Completando, um pequeno palco para representações e uma plataforma móvel. As paredes, de acordo com a descrição da Revista PoIytechnica, eram de cor palha com leve matiz ouro, obtida com reboco de cimento penteado, um reboco composto de grãos de quartzo e madrepérola, pó de mármore, mica, cimento branco e pequena dose de tinta em pó.
A descrição do Correio Paulistano era mais entusiástica: “O UFA-PALACIO, o novo cinema de São Paulo, parece que saiu de algum livro de WeIIs. As suas linhas lisas e moderníssimas, o seu sistema de iluminação que, não fazendo sombra nos rostos, torna todo mundo mais bonito e mais jovem. As duas cores escolhidas para a decoração, o creme e o brique, tudo numa harmonia deliciosa torna o UFA uma sala de diversão como antes só fora vista nos próprios filmes. A sessão de ontem, dedicada ao mundo oficial, à imprensa e a um grande número de convidados, foi iniciada com um trecho de Carlos Gomes e causou impressão esplendida, não só como música, como a orquestra brotando do solo, para em seguida desaparecer, logo terminada a música”.

Bibliografia: Simões, Inimá – Salas de Cinema em São Paulo

sábado, 20 de abril de 2013

A Cinelândia ficava no centro novo


No topo da hierarquia cabe ao IPIRANGA o que havia de mais prestigioso nas Companhias distribuidoras,. A segunda quota estava reservada ao ART-PALACIO e em seguida vinha o BANDEIRANTES. Todos da Serrador”. Pelo censo de 1940, São Pauto tem uma população de 1.317.396 habitantes e a oferta de assentos nos cinemas da capital se aproxima dos 100 mil (mais exatamente 95.754), ocupados por 19.526.224 espectadores. Tais números mostram que o paulistano vai aos cinemas com assiduidade, uma freqúência per capita de 15 ao ano. Nos cinco anos seguintes, mais de 20 salas são inauguradas e o aumento de público é mesmo superior ao crescimento demográfico. Ou seja, há um crescimento real de público, as pessoas vão mais ao cinema, não se trata apenas de um incremento numérico.
A Cinelândia, que abriga as principais salas - ARTPALACIO, AVENIDA, ÓPERA,BROADWAY, RITZ, IPIRANGA, METRO, MARABA, BANDEIRANTES, PARATODOS -, atrai a grande massa de público. Dentre as dez salas de maior frequência em 1945, seis delas estão ali.
Cine Colyseo no Largo do Arouche
O TABARIS, na rua Formosa, vizinho ao Frontão Nacional, templo da pelota, especializa-se nestes programas. Os títulos dos filmes são bastante sugestivos: Ginecologia e Obstetrícia, Rasputh e As Mulheres, geralmente películas antigas em que se faziam enxertos de cenas apimentadas. Em 1935, a Platea publica o anúncio: “cine TABARIS, rua Formosa, 18-A. Hoje, a partir das 14 horas, sessões corridas com a exibição do grandioso filme do gênem ‘só para adultos’: Vício e Perversidade Magníficas cenas de forte realismo e nu artístico: PROHIBIDO para menores e senhoritas”.
O centro da cidade, não obrigatoriamente o geográfico, mas o que se torna referência obrigatória, ponto de passagem inevitável que parece concentrar a alma da cidade, inicia o seu deslocamento - abandonando o triângulo formado pelas ruas Direita, São Bento e XV de Novembro - em direção à Avenida São João e arredores, onde já se concentram hotéis luxuosos, leiterias, casas de chá, lojas modernas e cinemas.
O UFA-PALACE está à altura do progresso de São Paulo, dirá mais uma vez o cronista da época. Sua edificação expressa nova maneira de conceber uma sala de cinema, pelo menos aqui entre nós. O projeto de Rino Levi está alerta a uma infinidade de detalhes. A visibilidade do espectador deverá ser perfeita de todos os pontos, observando sempre que uma linha dos olhos até o limite da tela não pode ser interceptada por nada, pela cabeça de ninguém. São feitos estudos de acústica, iluminação, ventilação, acessos, qualidade de projeção, resultando num conjunto funcional e confortável.
A construção, de responsabilidade da Sociedade Constructora Brasileira Ltda., é iniciada em 15 de maio de 1936 e concluída ao final de outubro. São 3.139 lugares, divididos entre a plateia (1.860 poltronas) e o balcão (1.279). Completando, um pequeno palco para representações e uma plataforma móvel. As paredes, de acordo com a descrição da Revista PoIytechnica, eram de cor palha com leve matiz ouro, obtida com reboco de cimento penteado, um reboco composto de grãos de quartzo e madrepérola, pó de mármore, mica, cimento branco e pequena dose de tinta em pó.
A descrição do Correio Paulistano era mais entusiástica: “O UFA-PALACIO, o novo cinema de São Paulo, parece que saiu de algum livro de WeIIs. As suas linhas lisas e moderníssimas, o seu sistema de iluminação que, não fazendo sombra nos rostos, torna todo mundo mais bonito e mais jovem. As duas cores escolhidas para a decoração, o creme e o brique, tudo numa harmonia deliciosa torna o UFA uma sala de diversão como antes só fora vista nos próprios filmes. A sessão de ontem, dedicada ao mundo oficial, à imprensa e a um grande número de convidados, foi iniciada com um trecho de Carlos Gomes e causou impressão esplendida, não só como música, como a orquestra brotando do solo, para em seguida desaparecer, logo terminada a música”.
Nos dias que antecederam a inauguração, jornal cuidou de promover um concurso para saber qual filme alemão deveria ser exibido na abertura da sala, alimentando as expectativas com fotos dos diretores da UFA que deveriam chegar a bordo de um dingivel.
O vencedor, na preferência dos leitores foi Boccaclo, projetado na sessão de estreia.
Num momento em que o cinema americano ocupa a maioria das telas em São Paulo (e no resto do mundo), parece paradoxal que não sejam empresas americanas a investir na construção de cinemas, seguindo o exemplo da Paramount, e sim a UFA, empresa estatal alemã. Não deve ser desconsiderada a disputa diplomática que se desenrola a nível internacional, onde o cinema á arma valiosa para angariar simpatias. Ironicamente, a Inauguração do belíssimo e funcional UFAPALACE ocorre no mesmo dia em que as manchetes dos jornais paulistanos noticiam a entrada de Franco em Madri, bombardeada pela aviação nazista. Mas acima das questões ideológicas, o UFA deslumbrava por igual a todos os seus frequentadores. Foi um salto qualitativo na construção das salas e definiu de vez a localização da Cinelândia paulistana, território de contornos flutuantes, mas que sempre inclui a Avenida São João, o Largo Paissandu, o Santa Efigênia, a avenida Ipiranga. Andando pela São João em direção ao bairro o limite ficará estabelecido com a edificação do Cine METRO.

Bibliografia: Simões, Inimá – Salas de Cinema em São Paulo

sábado, 13 de abril de 2013

A Cinelandia ficava no Distrito República


Menos de dois anos depois do début consagrador do UFA, a Metro Goldwyn Mayer instala sua própria sala: Um frêmito de emoção! “O METRO possui todos os aperfeiçoamentos das salas de exibição da Broadway e Champs Elysées!”. As reportagens explicam como funciona o ar condicionado, equipamento desconhecido do público: “um espectador que entrar molhado de chuva ou suor, pode, sem perigo algum para a sua saúde, assistir a toda uma sessão no METRO: a roupa e a pele secar-se-ão sem resfriamento”. 
Cine Metro por dentro
A entrada triunfal do Cine METRO no circuito ofusca um pouco o UFA. Guilherme de Almeida escreve: “Um novo, poderoso eixo vara a cidade de São Paulo, girando, centrípeto. Esticada, reta, entre duas montanhas simbólicas de nossa grandeza” 
O Jaraguá, a montanha histórica que Deus fez; e o Martinelli, a montanha moderna que os homens fizeram - a Avenida São João, centralizadora, atraente, magnética, vai chamando a si a vida urbana, que a ela se gruda e com ela roda empolada toda de arranha-céus, apinhada de autos e trens, inchada de pencas de gente, borbulhada de cachos de luz... “E - síntese da vida de hoje, índice infalível do progresso desses tempos - o cinema também para alí converge,escancarando as suas portas e imam para a dócil limalha humana. O BROADWAY, o UFA e agora, hoje, esta noite, mais um: o Cine METRO.” “Impressão geral recebida na tarde de hontem, durante o cordialíssimo ‘cocktail’ oferecido à imprensa - o ‘Cine METRO’, como o metro, base do sistema métrico, fixa também a base de novo sistema de construção especializada. Um cinema padrão, puramente cinema. Em tudo; por tudo”.
O IPIRANGA é um monumento ao cinema.  Vivemos em pleno fastígio cinematográfico. O filme que bate na tela e a sala de projeção estão em perfeita harmonia, formam quase que uma coisa única, uma união consensual. O filme era uma parte do espetáculo, a parte mais importante sem dúvida, mas não era tudo. O espetáculo começava já na calçada, muito antes da plateia ser escurecida e é bastante provável que os frequentadores vissem apenas uma parte do que acontecia no filme, livrando um olho para acompanhar a atmosfera de encantamento. Isto acontecia entre nós porque o cinema se tornara o principal ponto de convivência (convergência) social, o programa preferido e para o qual todos se arrumavam com aprumo e gosto. Quando alguém diz que viu Seis Destinos, não vem á cabeça o nome do diretor Julien Duvivier, mas sim uma constatação: “Ah, esteve no IPIRANGA”. Estes templos, erigidos para adoração das divindades cinematográficas provocam de acordo com lógica pragmática do sistema exibidor, um saudável efeito psicológico nos frequentadores, algo como uma gratificação - vivenciar por certo tempo ambientes de luxo, com mármores, veludos, espelhos, banheiros deslumbrantes – que retempera a energia do paulistano para sua jornada semanal.
Na ausência de Francisco Serrador, falecido em 1941, Julio Llorente se transforma no personagem principal, recebendo os convidados que acorrem pressurosos para conhecer o IPIRANGA. Liorente encarna à perfeição o mito do 881f-made-man, ele que havia começado em funções subalternas num cinema de Serrador e fora subindo até chegar à testa da mais poderosa empresa exibidora de São Paulo, que domina amplamente o mercado com dezenas de salas espalhadas por todos os cantos da cidade. Mas é justamente em frente ao IPIRANGA - cartão de visitas de
Serrador - que se instala um empresário arrojado cujo nome estará em evidência daí por diante toda vez que se falar de cinema. Paulo B. Sá Pinto está ligado ao MARABA e ao RITZ, caçulas da Cinelândia. “O IPIRANGA é o cinema número 1 da cidade”. Nos primeiros anos de funcionamento, apresenta durante duas semanas um filme da Fox; duas semanas um da Warner, depois um da Paramount, outro da Universal, mais um da RKO, voltando então ao início da ‘corrente’.
No topo da hierarquia cabe ao IPIRANGA o que havia de mais prestigiooso nas Companhias distribuidoras,. A segunda quota estava reservada ao ART-PALACIO e em seguida vinha o BANDEIRANTES. Todos da Serrador. Pelo censo de 1940, São Pauto tem uma população de 1.317.396 habitantes e a oferta de assentos nos cinemas da capital se aproxima dos 100 mil (mais exatamente 95.754), ocupados por 19.526.224 espectadores. Tais números mostram que o paulistano vai aos cinemas com assiduidade, uma frequência per capita de 15 ao ano. Nos cinco anos seguintes, mais de 20 salas são inauguradas e o aumento de público é mesmo superior ao crescimento demográfico. Ou seja, há um crescimento real de público, as pessoas vão mais ao cinema, não se trata apenas de um incremento numérico.
A Cinelandia, que abriga as principais salas - ARTPALACIO, AVENIDA, ÓPERA,BROADWAY, RITZ, IPIRANGA, METRO, MARABA, BANDEIRANTES, PARATODOS, atrai a grande massa de público. Dentre as dez salas de maior frequência em 1945, seis delas estão ali no Distrito República.

Bibliografia: Simões Inimá – Salas de Cinema em São Paulo

domingo, 7 de abril de 2013

Os cinemas do distrito República


O TABARIS,era um cinema só para homens,na rua Formosa, vizinho ao Frontão Nacional, templo da pelota, especializa-se nestes programas. Os títulos dos filmes
são bastante sugestivos: Ginecologia e Obstetrícia, Rasputh e As Mulheres, geralmente películas antigas em que se faziam enxertos de cenas apimentadas. Em 1935, a Platea publica o anúncio: “cine TABARIS, rua Formosa, 18-A. Hoje, a partir das 14 horas, sessões corridas com a exibição do grandioso filme do gênem ‘só para adultos’: Vício e Perversidada Magníficas cenas de forte realismo e nú artístico: PROHIBIDO para menores e senhoritas”.
O UFA ficava no Largo do Arouche nos arredores, onde já se concentram hotéis luxuosos, leiterias, casas de chá, lojas modernas e cinemas. O UFA-PALACE, por
exemplo.
Com o UFA-PALACE, Rino Levi introduz uma 
arquitetura onde a luz é a principal elemento
O UFA-PALACE está à altura do progresso de São Paulo, dirá mais uma vez o cronista da época. Sua edificação expressa nova maneira de conceber uma sala
de cinema, pelo menos aqui entre nós. O projeto de Rino Levi está alerta a uma infinidade de detalhes. A visibilidade do espectador deverá ser perfeita de todos os pontos, observando sempre que uma linha dos olhos até o limite da tela não pode ser interceptada por nada, pela cabeça de ninguém. São feitos estudos de acústica, iluminação,ventilação, acessos, qualidade de projeção, resultando num conjunto funcional e confortável.
A construção, sob responsabilidade da Sociedade Constructora Brasileira Ltda., é iniciada em 15 de maio de 1936 e concluída ao final de outubro. São 3.139 lugares, divididos entre a plateia (1.860 poltronas) e o balcão (1.279). Completando, um pequeno palco para representações e uma plataforma móvel. As paredes, de acordo com a descrição da Revista Po Iytechnica, eram de cor palha com leve matiz ouro, obtida com reboco de cimento penteado, um reboco composto de grãos de quartzo e madrepérola, pó de mármore, mica, cimento branco e pequena dose de tinta em pó.
A descrição do Correio Paulistano era mais entusiastica: “O UFA-PALACIO, o novo cinema de São Paulo, parece que saiu de algum livro de WeIIs. As suas linhas lisas e moderníssimas, o seu sistema de iluminação que, não fazendo sombra nos rostos, torna todo mundo mais bonito e mais jovem. As duas cores escolhidas para a decoração, o creme e o brique, tudo numa harmonia deliciosa torna o UFA uma sala de diversão como antes só fora vista nos próprios filmes. A sessão de hontem, dedicada ao mundo oficial, à imprensa e a um grande número de convidados, foi iniciada com um trecho de Carlos Gomes e causou impressão esplendida, não só como música, como a orchestra brotando do solo, para em seguida desaparecer, logo terminada a música”.
Nos dias que antecederam a inauguração,jornal cuidou de promover um concurso para saber qual filme alemão deveria ser exibido na abertura da sala, alimentando as expectativas com fotos dos diretores da UFA que deveriam chegar a bordo de um dingivel.
O vencedor, na preferéncia dos leitores1 foi Boccaclo, projetado na sessão de estreia.
Num momento em que o cinema americano ocupa a maioria das telas em São Paulo (e no resto do mundo), parece paradoxal que não sejam empresas americanas a investir na construção de cinemas, seguindo o exemplo da Paramount, e sim a UFA, empresa estatal alemã. Não deve ser desconsiderada a disputa diplomática que se desenrola a nível internacional, onde o cinema á arma valiosa para angariar simpatias. Ironicamente, a Inauguração do belíssimo e funcional UFA PALACE ocorre no mesmo dia em que as manchetes dos jornais paulistanos noticiam a entrada de Franco em
Madri, bombardeada pela aviação nazista. Mas acima das questões ideológicas, o UFA deslumbrava por igual a todos os seus frequentadores.
Foi um salto qualitativo na construção das salas e definiu de vez a localização da Cinelândia paulistana, território de contornos flutuantes, mas que sempre inclui a Avenida São João, o Largo Paissandu, o Santa Efigênia, a Avenida Ipiranga. 

Bibliografia : Simões, Inamá - Salas de Cinema em São Paulo

sábado, 30 de março de 2013

O Cine-Theatro República



Na edição de 27 de novembro de 1921, o jornal O Estado de S.Paulo anunciava: "Uma revolução imminente no mundo dos cinemas em São Paulo – A maravilha que será o CINE THEATRO REPUBLICA”. A inserção propagandeava o empreendimento destacando a figura de J. Quadros Junior. 
(...) encontrámo-nos com o J. Quadros Junior. Deixou a imprensa, desistiu da mania de fundar o vespertino 'A Noite' e, tendo criado juízo, acha-se á testa de uma grande empresa cinematográfica, destinada a pôr num chinelo todas as casas que exploram esse gênero de diversão nesta capital. Queremos referir nos á Sociedade Cinematográfica Paulista Limitada, da qual fazem parte distintos capitalistas, que em boa hora resolveram acabar com o irritante monopólio do 'trust' que açambarcou em São Paulo a exibição de fitas, explorando o publico em sua bolsa.
A convite de Quadros, fomos visitar o sumptuoso edifício, á praça da Republica, onde funcionou o Skating e que está passando pelas necessárias reformas, afim de ser adaptado a cinema.

(Assumptos em foco.
 O Estado de S. Paulo, 27.11.1921, p.18)
A cobertura do lançamento pelo jornal em questão seria extensa, em contraste com outros jornais. Mas retornemos alguns meses e atentemos para o curto prazo das grandes transformações pelas quais passaria o antigo Skating.

Em julho do mesmo ano, dá entrada na prefeitura requerimento com projeto de adaptação para cinema. Seu proprietário, Lupércio Teixeira de Camargo, e o autor do projeto, Willian Fillinger, engenheiro arquiteto, especialista em “cimento armado” sempre lembrado por sua atuação no projeto do Edifício Martinelli, acompanharão boa parte do período áureo do Cine-Teatro República, “o velho República”, como os registros de memória oral irão identificar aquele momento ao final do século XX.

O exibidor responsável pela sala é agora a Sociedade Cinematográfica Paulista Ltda. O projeto de reforma apresentado recebe o alvará inicial “aprovado em termos” imediatamente, embora um substitutivo tenha sido protocolado em setembro quando surge a nova denominação Cine Theatro República.
 
Cine Theatro República, 1921.
Planta do térreo apresenta as modificações para adaptação do antigo Skating Palace.


Em
 vermelho, os elementos a construir, com destaque para o palco. Em amarelo, trechos a demolir, em especial a ampliação das salas de recepção
ao público no bloco frontal, à esquerda.

Acervo AHSP



Cine Theatro República, 1921.
Corte do longitudinal da edificação com modificações para
adaptação do antigo Skating Palace.




Em vermelho, os elementos a construir, com destaque para o palco à direita.
No lado oposto, bloco para a Praça de República, ocupado pela recepção, diretoria e outros serviços.
Em amarelo, trechos a demolir, entre eles parte dos pisos que serão ocupados pela caixa do palco.

Acervo AHSP

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O jornal
 O Estado de S. Paulo traz em sua edição de 29 de dezembro de 1921 extenso artigo sobre a inauguração e o edifício  Mais ainda, apresenta ao alto, uma reprodução da fachada do novo cinema. Aqui fica clara a configuração final do edifício, que poucas alterações faria sobre a fachada efetivamente construída do Skating, da qual não havia registro nos processos.

Bibliografia: Informativo nº 30 do Arquivo Histórico do Município de São Paulo http://www.arquiamigos.org.br/info/info30/index.html 

sábado, 23 de março de 2013

Edifício Itá


Edifício Itá é ligado o edifício R. Monteiro, ligando a rua Barão de Itapetininga e a rua 24 de maio. O Edifício Itá foi construído em 1949 pela Construtora Cavalcanti Junqueira S.A., a pedido da família Dias de Abreu. Com características arquitetônicas simples, o projeto manteve a relação do térreo comercial com os andares de escritórios, constante na maioria dos edifícios do Centro Novo. Desde a inauguração, o térreo recebera uma galeria de artes que comercializa quadros, muito conhecida e citada em vários relatos de época.
A planta organizada em dois blocos e interligada pela barra de circulação vertical é iluminada e ventilada por pátios ao longo da face de maior dimensão, criando corredores longos e monótonos. A princípio, a distribuição das lojas comerciais seguia a mesma modulação dos andares de escritórios, com salas maiores voltadas para a rua Barão e espaços menores no interior do lote. Os detalhes de acabamento, como o piso em mármore e as escadas em granito rosa e cinza são característicos da década de 40.
Com a construção da galeria, houve uma redistribuição dos espaços das lojas. Seguindo a modulação do edifício R. Monteiro, um nicho para lojas foi construído no centro do bloco, dividindo a circulação de pedestre em dois ramos, circundados por lojas. Esses por sua vez, foram interligados ao edifício vizinho permitindo a continuidade do espaço e a fluidez do percurso.

Bibliografia: Aleixo, Cynthia Augusta Poleto – Edifícios e Galerias Comerciais Arquitetura e Comércio na Cidade de São Paulo, anos 50-60 – Tese de mestrado – Escola de Engenharia de São Carlos.