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Cine Paissandu |
A descrição do Correio
Paulistano era mais entusiástica: “O UFA-PALACIO, o novo cinema de São Paulo,
parece que saiu de algum livro de WeIIs. As suas linhas lisas e moderníssimas,
o seu sistema de iluminação que, não fazendo sombra nos rostos, torna todo
mundo mais bonito e mais jovem. As duas cores escolhidas para a decoração, o
creme e o brique, tudo numa harmonia deliciosa torna o UFA uma sala de diversão
como antes só fora vista nos próprios filmes. A sessão de ontem, dedicada ao
mundo oficial, à imprensa e a um grande número de convidados, foi iniciada com
um trecho de Carlos Gomes e causou impressão esplendida, não só como música,
como a orquestra brotando do solo, para em seguida desaparecer, logo terminada a
música”.
Nos dias que antecederam a
inauguração, jornal cuidou de promover um concurso para saber qual filme alemão
deveria ser exibido na abertura da sala, alimentando as expectativas com fotos
dos diretores da UFA que deveriam chegar a bordo de um dingivel.
O vencedor, na preferência dos
leitores foi Boccaclo, projetado na sessão de estreia.
Num momento em que o cinema
americano ocupa a maioria das telas em São Paulo (e no resto do mundo), parece
paradoxal que não sejam empresas americanas a investir na construção de
cinemas, seguindo o exemplo da Paramount, e sim a UFA, empresa estatal alemã.
Não deve ser desconsiderada a disputa diplomática que se desenrola a nível
internacional, onde o cinema á arma valiosa para angariar simpatias.
Ironicamente, a Inauguração do belíssimo e funcional UFAPALACE ocorre no mesmo
dia em que as manchetes dos jornais paulistanos noticiam a entrada de Franco em
Madri, bombardeada pela aviação nazista. Mas acima das questões ideológicas, o
UFA deslumbrava por igual a todos os seus frequentadores. Foi um salto
qualitativo na construção das salas e definiu de vez a localização da
Cinelândia paulistana, território de contornos flutuantes, mas que sempre
inclui a avenida São João, o Largo Paissandu, o Santa Efigênia, a avenida Ipiranga.
Andando pela São João em direção ao bairro o limite ficará estabelecido com a
edificação do Cine METRO.
Bibliografia: Simões Inimá – Salas de Cinema em
São Paulo
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