domingo, 24 de abril de 2011

Antônio Prado Primeiro Prefeito de Sampa

(1)Jorge, Clóvis de Athayde – Consolação uma reportagem histórica.

(2)Ponciano, Levino – Todos os Centros da Paulicéia

Na antevisão de sobrecargas governamentais, pela ampliação dos quadros legislativos interioranos, criados com a república, e na decorrência de problemas de âmbito econômico-fiscal, o governo do presidente Fernando Prestes de Albuquerque deliberou outorgar autonomia à cidade de São Paulo. E assim, por deliberação da Câmara Municipal, contida na Lei nº 374, de 16 de novembro de 1898, institui-se o cargo de Prefeito do Município, com a responsabilidade de cuidar e gerir o Executivo, segundo aquela diretiva.

Foi então que por votação unânime foi escolhido o Antonio da Silva PradoCafeicultor proprietário da Fazenda Guatapará e de outras, industrial, fundador da Vidraria Santa Marina, em 1892, ex-presidente da Assembleia Provincial, em 1888, o conselheiro Antônio da Silva Prado (25/05/1840 a 23/04/1929). Reelegeu-se quatro vezes até 1910, quando foi substituído pelo barão Raimundo Duprat (11/12/1863 a 17/05/19260 em 15 de janeiro de 1911.

Na sua gestão o prefeito Antônio Prado, desenvolveu intensa obra urbanística no núcleo antigo, nos bairros mais distantes e na cidade nova, ao seu tempo já servida pelo Viaduto do Chá. No levantamento que se fez, quase ao final do seu último mandato; a cidade contava com 23.427 árvores plantadas em ruas e praças públicas, 32 avenidas, 41 alamedas, 903 ruas, 32 travessas, 20 praças ajardinadas e 3 jardins públicos. Em 1910, quase todas as ruas principais estavam iluminadas com energia elétrica e as linhas de bonde se irradiam em todas as direções.

Tomara providências, de modo especial, no tocante ao abastecimento de água, atribuindo tal incumbência ao dr. Theodoro Sampaio que traçou o plano para a captação do ribeirão Cotia e a construção do Reservatório do Araçá. Obras que começaram em 1909 e foram dirigidas pelo engenheiro Heribaldo Siciliano, construtor do atual Mercado Municipal e diretor da Companhia Mecânica e Importadora. Mas, a sua principal realização, particularmente ligada ao bairro da Consolação, seria a construção do Teatro Municipal

Em 21 de novembro de 1898, deu-se a primeira eleição municipal para prefeito de São Paulo, tendo sido eleito o conselheiro Antônio Prado. A população gostou da experiência: o conselheiro foi tão bem-aceito, que se reelegeu para mais três mandatos, ficando no poder até janeiro de 1911.

Antônio Prado foi o administrador que deu “cara” de metrópole à Vila de Piratininga. Dentre outras ações, reorganizou o centro da cidade, ampliando ruas e abrindo outras. Autorizou loteamentos que deram origem a novos bairros e substituiu o gás de carvão que iluminava logradouros pela energia elétrica. Tudo para que a cidade acompanhasse o vertiginoso crescimento provocado pela chegada de milhares de imigrantes vindos de todos os cantos da Europa.

O conselheiro e prefeito por quatro vezes deu nome à atual e central praça Antônio Prado.

domingo, 10 de abril de 2011

Rua da Consolação

Todos os Centros da Paulicéia, Ponciano Levino

É pouco larga, extensa, tortuosa”. Assim era descrita a rua da Consolação em 1900. Veja só a grande reta que temos hoje.

Por volta de 1865, a grande avenida da Consolação, hoje larga e sempre congestionada, era uma pequena rua que servia de caminho para o longínquo bairro de Pinheiros e a cidade de Sorocaba. A freguesia da Consolação nasceu do retalhamento de chácaras em 1870, e naquele ano já registrava mais de 3.500 almas. Seu segundo nome foi ladeira do Piques, em homenagem a um comerciante muito popular. Diz a lenda que Antônio Ferreira Piques era famoso “ o mais querido leiloeiro de escravos de São Paulo”. Antes ainda, a Consolação teve o nome de Anhangavahi de cima. Igreja da Consolação

A igreja Nossa Senhora da Consolação, é que emprestou seu nome ao bairro e a avenida e em 1871 já era uma grande paróquia. O bairro era constituído de casas modestas, até que chegaram os barões do café com seus casarões e mansões, mudando por completo a paisagem. Em 1900, tinha seus palacetes na Consolação o doutor Nicolau de Sousa Queirós e Antônio Queirós.

O local começou a ser procurado pelos novos ricos brasileiros, os imigrantes enriquecidos pelo comércio.

Aos pouco, quando os barões se cansaram e foram deixando as mansões de lado, a região iniciou seu declínio. Da mesma forma e quase ao mesmo tempo, estabelecimentos comerciais foram tomando conta das imediações. Hoje a Consolação é um bairro eminentemente comercial, com uma vida noturna bem agitada graças aos alunos do colégio e faculdade Mackenzie

È na tradicional avenida da Consolação que está o restaurante Sujinho que marou época em São Paulo e que continua muito frequentado. O Sujinho é um estabelecimento típico das madrugadas de São Paulo, por isso é carinhosamente chamado de “Bar das Putas”.

Agora , na Consolação, o paulistano encontra tudo em matéria de lustres, abajures, luminárias e material elétrico.

domingo, 3 de abril de 2011

Vale do Anhangabaú

Centro Velho de São Paulo 450 Anos de História – Guimarães Laís de Barros Monteiro Samarão

Todos os Centros da Paulicéia –Ponciano, Levino

A Chácara mais central de São Paulo era a do Barão de Itapetininga, chegando até o último quartel do século XIX. Era a Chácara do Chá, que se iniciava na Rua Nova de São José, atual Líbero Badaró, e se estendia até o Campo dos Curros, Hoje Praça da República, tendo como limite Norte a Avenida São João, e Sul os campos do Bexiga.

Chamou-se Chácara do Chás porque esse vegetal se disseminava por toda a encosta do Vale do Anhangabaú, nomeando a região, Morro do Chá.

O Rio Anhangabaú, cujo trecho superior foi canalizado sob a Av: 23 de Maio, na margem esquerda receTeatro Municipal e início da Xavier de Toledobia como afluente o Rio Saracura, atualmente sob a Av Nove de Julho. Esse rio tinha um pequeno afluente que era o Ribeirão do bexiga, entre as atuais Rua Santo Amaro e Santo Antônio, o qual cortava os Campos do Bexiga onde situava-se um pouso de tropeiros. Exatamente no ponto em que esses três rios se encontravam, havia uma ponte de pedra que se chamava Ponte do Lorena. Em 1790, o capitão-geral Bernardo José de Lorena mandou construir a ponte 7 de abril (antiga Ponte dos Piques). Era uma ponte de madeira que o tempo e as enchentes de verão acabou por derrubar. Ou seja, o cidadão, para ir do planalto até os lados de onde está hoje o Teatro Municipal, tinha de descer a encostas, atravessar o vale, passar pela Ponte do Lorena sobre o rio Anhangabaú e subir, dando volta. Era um grande exercício, principalmente na época das chuvas.

Além dos problemas minerais o pobre Anhangabaú, nos primeiros anos do século XVII, o Matadouro Municipal era na rua Humaitá, ne Bela Vista, e um córrego levava para o ribeirão toda sorte de detritos, restos de sangue, caveiras, chifres, o que deixava as águas avermelhadas e o ar fétido. Como se não bastasse, a região era um ajuntamento de bandidos.

Essa Ponte do Lorena, uma das três pontes de pedra da cidade, era muito importante para o acesso ao centro, eis que desse partiam três ladeiras convergindo para a região da ponte.

Nas terras da chácara foi aberta a Rua Formosa, ligando a região dos Piques com a Ladeira do Acu, hoje Avenida São João, rua muito significativa na estrutura da Cidade Nova, O Piques era um local de grandes atividades comerciais, para onde convergiam tropas de mula que chegavam à cidade pela Estrada do Piques ou pelo Caminho de Santo Amaro.

Em 10.07.1854, o Correio Paulistano noticiava que a Chácara do Chá era um entrave ao acesso da região norte da cidade. Assim, era, tanto que o habitante do Piques que quisessem ir para os lados de Santa Ifigênia, tinha que atravessar o desfiladeiro junto à Rua Nova de São José, ou galgar a íngreme Rua da Palha ( Hoje Sete de Abril)

Cresciam a cada dia as reclamações para a facilitação do trajeto entre aqueles dois pontos, do Piques com a região norte da cidade. Em 1855, na Chácara do Chá foi aberta a rua Formosa, dando início ao arruamento do Morro do Chá, ou seja, da formação da Cidade Nova.

Mas a população e a imprensa da época continuaram com suas reclamações, visando a ligação da rua Formosa com o Campo dos Curros, cuja ligação até então se fazia por intermédio da Rua da Palha e Rua São João. A Ladeira da Palha (atual Ladeira da Memória) continuava pela Rua da Palha.

O Largo da Memória era delimitado pela Ladeira da Palha, Ladeira dos Piques e Rua do Paredão que hoje é a rua Xavier de Toledo, cuja topografia ainda pode ser observada no presente.

No ponto de convergência das duas ladeiras há o Chafariz da Memória.

Atravessada a Ponte do Lorena, entrava-se na Cidade Nova, onde, uma rua larga” até um ponto um pouco mais elevado, ficava a Ermida de Nossa Senhora da Consolação, que era o fim da cidade. Daí para frente, era aa estrada para Itu e Sorocaba.

Do lado norte dessa região, a Ladeira de São João, já em 1887, estava calçada com paralelepípedos.

No ano de 1850, uma grande enchente na região do Piques arrasou a velha Ponte do Lorena e em seu lugar foi edificada uma nova ponte reta.

Durante muitos anos, a Rua Formosa era exclusiva ligação entre as ruas de São João e da Palha, tempo que a cidade ficou praticamente inalterada. Essas ruas, por sua vezes, faziam ligação da Rua Formosa com o Campo dos Curros.

Na presidência de João Teodoro Xavier, a Baronesa de Tatuí (viúva do Barão de Itapetininga) ofereceu à municipalidade o terreno para a abertura da rua que ligaria o Campo dos Curros à Rua Formosa, impondo a condição de que a rua de ligação recebesse o nome de sue falecido marido, nome que permanece até os dias atuais – Rua Barão de Itapetininga.

O Bairro do Chá começou a ser edificado em 1879, já que Bouvard transformou uma área do Morro do Chá no jardim atualmente existente na lateral esquerda do Teatro Municipalidade.

Em 1888, a rua Barão de Itapetininga foi substancialmente alterada e com ela toda a região.

Logo se iniciaram as obras do Viaduto do Chá.

Quanto à Rua Santa Ifigênia, em 1842, era uma saída para o Caminho do Ó! Era uma das regiões mais antigas da cidade, ao lado da Sé.

domingo, 27 de março de 2011

Largo o Arouche

São Paulo de ontem e de hoje - Oferta da Predial Novo Mundo S/A

Existem recantos em São Paulo, cujos nomes, dados pela municipalidade para substituir as denominações antigas, sofrem uma resistência tenaz por parte do povo. Ainda há pouco tempo a Avenida Paulista voltou a ser chamada assim, embora a prefeitura houvesse determinado uma nova nomenclatura. O povo, embora reconhecendo a grandeza e a justiça da homenagem ao homem a que se procurava reverenciar, não reconheceu essa mudança e continuou chamando: Avenida Paulista. E a Prefeitura cedeu. O povo tinha razão.... O) nome avenida Paulista tinha mais propriedade para qualificá-la.

Entretanto, há muitos anos, o mesmo povo de São Paulo aceitou e aplaudiu um novo batismo.

Havia um largo bonito, movimentado, fértil e próspero, ao qual, graças ao seu aspecto sempre festivo, tinha sido consagrado como a Praça da Alegria.

Ali se comprimiam as almas religiosas, nas grandiosas procissões da lendária Igreja de Santa Cruz do Pocinho. Erguiam-se os mastros dos mais acreditados circos de cavalinhos...Ficava-lhe bem o nome: Praça da Alegria.

Até que um dia, um marechal invadiu os seus domínios e imprimiu uma feição progressista. Era o homem dinâmico da época. Bacharel em direito, militar, político, agricultor, industrial e comerciante.

Abriu novos caminhos. Impôs ordem. Acomodou o ambiente as circunstancias. Plantou o seu chão. Ninguém como ele para ser o padrinho do Largo. Tinha direitos adquiridos. Por isso, o povo se congratulou com a Câmara, quando resolveu substituir o nome de Praça da Alegria, para homenagear esse espírito empreendedor.

Basta que eu pronuncie o nome dessa figura histórica e proeminente no São Paulo de ontem, para que o leitor deduza de que Largo estamos falando. Estamos nos referindo ao Marechal José Arouche de Toledo Rendon.

E quando se aventou perpetuar a obra desse vulto, substituindo o nome de Praça da Alegria, para Largo do Arouche, o povo bateu palmas: muito bem!!!!

José Arouche de Toledo Rendon, antes de mais nada, demarcou a Cidade Nova, que se estendia desde o Morro do Chá até aquelas cercanias. Abriu as perspectivas do Largo. E iniciou a cultura do chá em São Paulo, dentro da sua própria chácara que era situada nos terrenos onde hoje está construído o Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, entre as ruas Dona Veridiana, Marques de Itu Cesário Motta e Jaguaribe chácara era um velho casarão de 12 janelas de frente, ainda existente na Rua Santa Isabel n 3 (atualmente é o Museu da Luza e Força), onde residiu e faleceu Arouche, aos 26 de julho de 1834, e que depois serviu de solar a Família Rego Freitas. Primitivamente a chácara o Arouche estendia-se da rua da Alegria (Hoje Sebastião Pereira) até ao Beco do Mata Fome Hoje Rua Araújo).

Foi considerado a capacidade mais produtiva da sua época.

Como militar o seu nome está perfilado juntamente com os nomes mais cintilantes da história. Como político tornou-se indispensável por seus sábios conselhos aos capitães-gerais que tinham as rédeas da província.

Com uma figura tão proeminente na vida daqueles lados da cidade, nada mais justo do que a homenagem de deixar seu nome, como uma das lembranças de suas obras.

E o povo já se habituara a chama-lo de Largo do Arouche, quando uma reforma administrativa municipal de 1910, segundo os apontamentos de Cursino de Moura, mudou o nome da parte inferior do largo, para praça “Alexandre Herculano”.

E o povo tinha razão. Tanto assim que três anos depois da solene inauguração daquela placa de bronze, Herculano desistiu de contrariar o povo.

O largo do Arouche consagrou-se nova e definitivamente.

Quando aconteceu o advento do cinema, São Paulo abraçou com entusiasmo esse movimento. E o largo do Arouche reclamou para si o direito de evoluir neste terreno.

Se de um lado, a Rua São João se ufanava do “Bijou”, ou do “Mignon”o largo do Arouche estufava o peito, convicto da sua superioridade, exibindo o cartaz mais querido da cidade: “High Life” - a “coqueluche”paulistana, de cinquenta anos atrás.

domingo, 20 de março de 2011

Rua Barão de Itapetininga

Todos os centro da Pauliceia - autor Poniano, Levino

Por décadas, a Barão de Itapetininga foi uma das ruas mais chique de São Paulo. Nos primeiros anos de 1900, era a moradia de nobres paulistanos, como o senador Paulo Egídio de Oliveira Carvalho e do então proprietário do Diário Popular. Quando o Mappin se mudou para a Praça Ramos de Azevedo, no início de 1940, a Barão ficou de fato chique, com as madames e os senhores passeando e esperando a hora para o chá na famosa loja de departamentos.Barão de ITAPETININGA1

Esteve por ali também, por duas décadas, a Confeitaria Vienense, que recebia seus ricos clientes com orquestras. Claro, que isso não era para todo mundo. Apenas para a nata da sociedade paulistana. Era tão chique que ficou conhecida à boca pequena como Via Vêneto, alusão ao que há de mais elegante na cidade de Roma. Um grande número de lojas de moas e livrarias refinadas.

Nos agitados anos 1950, quando a Barão era o centro da elegância paulistana o seu número 143, atualmente ocupado por uma agência bancária, abrigava a Confeitaria Fasano, em cuja porta se concentravam os chamados playboys, filhotes da “juventude transviada” e órfãos nacionais de James Dean. Ficavam com seus blusões de couro e cabelos lotados de gomalina à espera de um garota ou mesmo de uma boa briga.

sábado, 12 de março de 2011

Rua Santa Ifigênia entre a igreja e o viaduto

 

Todos os centros da Paulicéia – Ponciano Levino

A rua Santa Ifigênia foi aberta em 1809 e abrigava uma das mais antigas capelas da capital, a de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia, construída nas primeiras décadas do século XVIII. Alguns autores afirmam que a primeira missa nessa capela foi celebrada em janeiro de 1795;outros garantem que aconteceu seis anos depois, em 1801.santa_ifigenia

A torre da igreja era dotada de um conjunto de grandes sinos que soavam por qualquer motivo, para anunciar mortes, enterros, missas, batizados, incêndios, enchentes ou a chegada de algum bispo, príncipe ou nobre de menor calibre. Os sinos perturbavam tanto a ordem pública que, em 1835, um vereador pediu certa parcimônia, tanto no número de manifestações como na intensidade do ruídos; afinal, os pobres cristãos da Vila de Piratininga precisavam descansar.

O projeto de construção do Viaduto Santa Ifigênia data do final do século XIX, quase ao mesmo tempo em que se inaugurava o Viaduto do Chá. Algumas autoridades acharam uma ideia interessante ligar o largo da Santa Ifigênia com o de São Bento. O assunto foi para a Câmara Municipal e lá apesar das intermináveis discussões, adormeceu por longos anos. Por fim, o prefeito Antônio da Silva Prado sancionou, em 30 de abril de 1908, uma lei determinado a construção do melhoramento. Assim, em 26 de julho de 1913, a obra foi entregue, estabelecendo a ligação do centro histórico com a nova cidade em desenvolvimento.

Uma coisa chamava a outra. Com a inauguração, a região mudou radicalmente e, em seguida, surgiram os grandes edifícios no seu entorno. Décadas passaram até a chegada do metrô, e o viaduto retomou a antiga importância.

Uma das principais referências do viaduto é o soar dos sinos do relógio do Mosteiro de São Bento a cada quarto de hora, desde 1772, quando a torre era uma novidade na pequena cidade. Ainda hoje, lava-se a alma ao ingressar na igreja do mosteiro e ouvir ali os cantos gregorianos dos monges beneditinos.

A fama nacional da Rua Santa Ifigênia não pode ser esquecida, local da eletrônica e hoje da informática. A partir de 1980, encontra-se nela desde um simples fio até o computador de última geração. Tudo se acha na Santa Ifigênia. Seu movimento chega a ser impressionante; milhares de pessoas encontrando-se nos vários quarteirões. Quando chega a noite, tudo acaba como que por encanto, num grande silêncio de lojas e no grande barulho produzidos por prostitutas decadentes e viciados em crack.

terça-feira, 8 de março de 2011

Rua Amaral Gurgel

Todos os Centros da Paulicéia – Ponciano Levino

Quem passa nos baixos do Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, entende por eu “aquilo” é conhecido como uma das maiores agressões arquitetônicas da capital paulista. Em vários trechos por onde ele vai como uma grande ave cinzenta e triste, a decadência e o empobrecimento acampam como moradores incômodos. Exemplo clássico disso e de suas consequências desastrosas é a rua Amaral Gurgel, que nos anos 1950 era uma via pública ligando a rua da Consolação ao Centro e ao Largo do Arouche e seus lindos e chiques e, claro, extintos cinemas. Amaral Gurgel com Marq. Itú

Com o nascimento do Minhocão nos primeiros anos de 1970, foi decretada a morte da Amaral Gurgel e de sua vizinhança. Aos poucos, os moradores foram expulsos, dando lugar a cortiços e a velhos prédios abandonado e em péssimo estado, lentamente transformados em sub-habitações. Tipos estranhos se abrigaram nas largas sobras do elevado. São prostitutas, mendigos, jovens bandidos e os esquecidos e os esquecidos pela sorte, todos pequenas vítimas da grande cidade.

Triste destino, o da Amaral Gurgel. Outrora charmosa, é hoje patê do trágico circuito de ruas onde crianças de São Paulo consomem drogas. Não é preciso grande esforço para achar, entre o cinzento das colunas, um menino cheirando cola, fumando baseado de maconha ou uma pedra de crack.

Enquanto isso, nos baixos do imenso viaduto que obre, a rua Amaral Gurgel foi recebendo o que lhe era ofertado: dos governos, o esquecimento; da população, o medo; e dos comerciantes, os anônimos frequentadores de pequenos bares e boates com caras suspeitas.Impera aí um caos arquitetônico que faz mal aos olhos dos transeuntes.

Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, patrono da rua, nasceu em São Paulo, em 08 de setembro de 1797. Fez o curso primário, frequentou a aula de latim do professor André da Silva Gomes, tendo por companheiros de estudos Vicente Pires da Mota, João Crispiniano Soares, Joaquim Inácio Ramalho, Ildefonso Xavier Ferreira, Rafael Tobias de Aguiar e outros que mais tarde surgiriam no cenário político do País. Sentindo propensão para o estudo eclesiástico, matriculou-se no curso de Teologia recém instalado no Convento das Carmelitas. Em 1814, estudou no curso de Filosofia sob a direção de Frei Francisco de Mont Alverne. Estudou Francês com o Engenheiro Marechal Pedro Muller. Mais tarde foi nomeado para reger a cadeira de História Eclesiástica em São Paulo, e para substituir o professor de Exegética, o Cônego Antônio Pais de Camargo. Em 1816, foi ordenado Presbítero pelo Bispo D. Mateus. Tomou parte ativa na aclamação de Pedro I, em 07 de setembro de 1822. Tornou-se famoso na reação contra a "Bernarda de Francisco Ignácio". Enfrentou pela imprensa, Frei Antônio de Santa Gertrudes, um dos mais apaixonados pela causa anti-andradista. Por ser um dos propugnadores de Guarda-Cívica, organizada para defesa das liberdades públicas, foi exilado de São Paulo para o Rio de Janeiro. Fez parte do Governo e do Conselho Geral da Província. Formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi nomeado lente e diretor da mesma Faculdade. Como jornalista, fundou o "Observador da Galerias", jornal esse chamado em seguida "O Observador Paulistano". Foi deputado, conselheiro de Estado, comendador da Ordem de Cristo, orador, grande jurisconsulto, e interinamente presidente da Província. Produziu várias obras tais como: Memória Apologética a Pedro I, Reflexões a propósito do celibato clerical, Noticia biográfica do General José Arouche de Toledo Rondon, Oração Fúnebre e grande cópia de outros trabalhos. Faleceu em São Paulo, Capital, em 15 de novembro de 1864.