domingo, 20 de março de 2011

Rua Barão de Itapetininga

Todos os centro da Pauliceia - autor Poniano, Levino

Por décadas, a Barão de Itapetininga foi uma das ruas mais chique de São Paulo. Nos primeiros anos de 1900, era a moradia de nobres paulistanos, como o senador Paulo Egídio de Oliveira Carvalho e do então proprietário do Diário Popular. Quando o Mappin se mudou para a Praça Ramos de Azevedo, no início de 1940, a Barão ficou de fato chique, com as madames e os senhores passeando e esperando a hora para o chá na famosa loja de departamentos.Barão de ITAPETININGA1

Esteve por ali também, por duas décadas, a Confeitaria Vienense, que recebia seus ricos clientes com orquestras. Claro, que isso não era para todo mundo. Apenas para a nata da sociedade paulistana. Era tão chique que ficou conhecida à boca pequena como Via Vêneto, alusão ao que há de mais elegante na cidade de Roma. Um grande número de lojas de moas e livrarias refinadas.

Nos agitados anos 1950, quando a Barão era o centro da elegância paulistana o seu número 143, atualmente ocupado por uma agência bancária, abrigava a Confeitaria Fasano, em cuja porta se concentravam os chamados playboys, filhotes da “juventude transviada” e órfãos nacionais de James Dean. Ficavam com seus blusões de couro e cabelos lotados de gomalina à espera de um garota ou mesmo de uma boa briga.

sábado, 12 de março de 2011

Rua Santa Ifigênia entre a igreja e o viaduto

 

Todos os centros da Paulicéia – Ponciano Levino

A rua Santa Ifigênia foi aberta em 1809 e abrigava uma das mais antigas capelas da capital, a de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia, construída nas primeiras décadas do século XVIII. Alguns autores afirmam que a primeira missa nessa capela foi celebrada em janeiro de 1795;outros garantem que aconteceu seis anos depois, em 1801.santa_ifigenia

A torre da igreja era dotada de um conjunto de grandes sinos que soavam por qualquer motivo, para anunciar mortes, enterros, missas, batizados, incêndios, enchentes ou a chegada de algum bispo, príncipe ou nobre de menor calibre. Os sinos perturbavam tanto a ordem pública que, em 1835, um vereador pediu certa parcimônia, tanto no número de manifestações como na intensidade do ruídos; afinal, os pobres cristãos da Vila de Piratininga precisavam descansar.

O projeto de construção do Viaduto Santa Ifigênia data do final do século XIX, quase ao mesmo tempo em que se inaugurava o Viaduto do Chá. Algumas autoridades acharam uma ideia interessante ligar o largo da Santa Ifigênia com o de São Bento. O assunto foi para a Câmara Municipal e lá apesar das intermináveis discussões, adormeceu por longos anos. Por fim, o prefeito Antônio da Silva Prado sancionou, em 30 de abril de 1908, uma lei determinado a construção do melhoramento. Assim, em 26 de julho de 1913, a obra foi entregue, estabelecendo a ligação do centro histórico com a nova cidade em desenvolvimento.

Uma coisa chamava a outra. Com a inauguração, a região mudou radicalmente e, em seguida, surgiram os grandes edifícios no seu entorno. Décadas passaram até a chegada do metrô, e o viaduto retomou a antiga importância.

Uma das principais referências do viaduto é o soar dos sinos do relógio do Mosteiro de São Bento a cada quarto de hora, desde 1772, quando a torre era uma novidade na pequena cidade. Ainda hoje, lava-se a alma ao ingressar na igreja do mosteiro e ouvir ali os cantos gregorianos dos monges beneditinos.

A fama nacional da Rua Santa Ifigênia não pode ser esquecida, local da eletrônica e hoje da informática. A partir de 1980, encontra-se nela desde um simples fio até o computador de última geração. Tudo se acha na Santa Ifigênia. Seu movimento chega a ser impressionante; milhares de pessoas encontrando-se nos vários quarteirões. Quando chega a noite, tudo acaba como que por encanto, num grande silêncio de lojas e no grande barulho produzidos por prostitutas decadentes e viciados em crack.

terça-feira, 8 de março de 2011

Rua Amaral Gurgel

Todos os Centros da Paulicéia – Ponciano Levino

Quem passa nos baixos do Elevado Costa e Silva, o famoso Minhocão, entende por eu “aquilo” é conhecido como uma das maiores agressões arquitetônicas da capital paulista. Em vários trechos por onde ele vai como uma grande ave cinzenta e triste, a decadência e o empobrecimento acampam como moradores incômodos. Exemplo clássico disso e de suas consequências desastrosas é a rua Amaral Gurgel, que nos anos 1950 era uma via pública ligando a rua da Consolação ao Centro e ao Largo do Arouche e seus lindos e chiques e, claro, extintos cinemas. Amaral Gurgel com Marq. Itú

Com o nascimento do Minhocão nos primeiros anos de 1970, foi decretada a morte da Amaral Gurgel e de sua vizinhança. Aos poucos, os moradores foram expulsos, dando lugar a cortiços e a velhos prédios abandonado e em péssimo estado, lentamente transformados em sub-habitações. Tipos estranhos se abrigaram nas largas sobras do elevado. São prostitutas, mendigos, jovens bandidos e os esquecidos e os esquecidos pela sorte, todos pequenas vítimas da grande cidade.

Triste destino, o da Amaral Gurgel. Outrora charmosa, é hoje patê do trágico circuito de ruas onde crianças de São Paulo consomem drogas. Não é preciso grande esforço para achar, entre o cinzento das colunas, um menino cheirando cola, fumando baseado de maconha ou uma pedra de crack.

Enquanto isso, nos baixos do imenso viaduto que obre, a rua Amaral Gurgel foi recebendo o que lhe era ofertado: dos governos, o esquecimento; da população, o medo; e dos comerciantes, os anônimos frequentadores de pequenos bares e boates com caras suspeitas.Impera aí um caos arquitetônico que faz mal aos olhos dos transeuntes.

Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, patrono da rua, nasceu em São Paulo, em 08 de setembro de 1797. Fez o curso primário, frequentou a aula de latim do professor André da Silva Gomes, tendo por companheiros de estudos Vicente Pires da Mota, João Crispiniano Soares, Joaquim Inácio Ramalho, Ildefonso Xavier Ferreira, Rafael Tobias de Aguiar e outros que mais tarde surgiriam no cenário político do País. Sentindo propensão para o estudo eclesiástico, matriculou-se no curso de Teologia recém instalado no Convento das Carmelitas. Em 1814, estudou no curso de Filosofia sob a direção de Frei Francisco de Mont Alverne. Estudou Francês com o Engenheiro Marechal Pedro Muller. Mais tarde foi nomeado para reger a cadeira de História Eclesiástica em São Paulo, e para substituir o professor de Exegética, o Cônego Antônio Pais de Camargo. Em 1816, foi ordenado Presbítero pelo Bispo D. Mateus. Tomou parte ativa na aclamação de Pedro I, em 07 de setembro de 1822. Tornou-se famoso na reação contra a "Bernarda de Francisco Ignácio". Enfrentou pela imprensa, Frei Antônio de Santa Gertrudes, um dos mais apaixonados pela causa anti-andradista. Por ser um dos propugnadores de Guarda-Cívica, organizada para defesa das liberdades públicas, foi exilado de São Paulo para o Rio de Janeiro. Fez parte do Governo e do Conselho Geral da Província. Formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi nomeado lente e diretor da mesma Faculdade. Como jornalista, fundou o "Observador da Galerias", jornal esse chamado em seguida "O Observador Paulistano". Foi deputado, conselheiro de Estado, comendador da Ordem de Cristo, orador, grande jurisconsulto, e interinamente presidente da Província. Produziu várias obras tais como: Memória Apologética a Pedro I, Reflexões a propósito do celibato clerical, Noticia biográfica do General José Arouche de Toledo Rondon, Oração Fúnebre e grande cópia de outros trabalhos. Faleceu em São Paulo, Capital, em 15 de novembro de 1864.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rua Aurora

Todos os Centros da Paulicéia – Poncino, Levino

Desde a data da abertura desta rua, em 1810, chamou-se sempre de Santo Elesbão, em homenagem ao Santo e à igreja de Santa Ifigênia. Recebeu o nome de Aurora em homenagem à Guerra do Paraguai, teve dias mais gloriosos que os atuais. Um cronista de 1900, descrevendo-a, nos faz gostar da viela. Diz ele: “ uma das mais belas ruas de todas da cidade....Muito autorizada....as casas com uma grande diversidade de tipos de construção”. Pobre cronistaRua Auroraa! Se visse hoje a Aurora, teria um colapso.

Um pequeno comércio. Sua salvação é a proximidade com a rua Santa Ifigênia, que a transformou em uma pequena filial de lojinhas que vendem de tudo na área de eletroeletrônicos e informática em geral. Porém, este éden acontece no trecho depois da Av: Rio Branco por mais três quadras até a AV: Cásper Líbero.

Em 1865, por determinação da Câmara, o nome foi trocado para Aurora. Aliás, os vereadores queriam mesmo era trocar o nome de um trecho do bairro para Bairro da Vitória, em homenagem à Guerra do Paraguai.

Em nome da verdade, a salvação real da rua Aurora por quase meio século foi o grande boteco, querido de todos os apreciadores do bom chope de São Paulo, o Bar do Léo que funcionou ente 1940 e 1990. Esse bar era para o centro de São Paulo como o Pinguim para Ribeirão Preto. Na entrada do novo milênio a decadência tem se acentuado nas calçadas da rua Aurora. Em algum ponto depois da Av: São João e antes da Av: Rio Branco há um comércio assiste a decadência da cracolândia escondida no estreito das ruas que cortam a Aurora neste trecho. Uma pena que seja um largo pedaço de São Paulo pedido para os viciados que se amontoam pelas calçadas.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Praça da República

Centro Velho de São Paulo – 450 Anos de História Autora Guimarães, Laís de Barros Monteiro Samarão

Largo dos Curros, antes da abdicação de D. Pedro I, Largo Sete de Abril, a seguir, e Praça da República após a proclamação da República em 1889, denominação esta escolhida pelo povo de São Paulo, através de voto popular.

31

Quando ainda se chamava Largo dos Curros, era o local onde o povo se encontrava, era cheio de restinga e largado. Mas era ali que se instalava a montanha russa ou o Circo dos Touros, onde a recreação popular acontecia.

As touradas eram frequentes na praça diante do Largo do Arouche, significado o termo “curro”, o local onde ficavam os touros antes de entrarem no largo, área em que acontecia as atrações equestres, tauromáquicas, durante vários decênios em São Paulo. Por isso era chamado de Largo dos Curros.

São Paulo ainda era uma província, quando a Escola Normal foi transportada pera o Largo Sete de Abril, a qual ficava a Travessa do Tesouro, desde a presidência de João Teodoro. Caetano de Campos projetou no Governo de Bernardino de Campos a reforma da instrução pública de São Paulo e da Escola Normal.

Seu prédio foi erguido entre 1892 e 1894, segundo projeto de Ramos de Azevedo na Praça da República, antigo Largo dos Curros. Foi o primeiro edifício público da cidade de São Paulo, construído além do Anhangabaú, representando, por si mesmo, o avanço da área urbana em direção à região que se identificaria como centro novo e, principalmente, a tomada do poder político pelos republicanos impulsionados pela afirmação de sua crença e princípios de filosofia positivista.

A construção dessa Escola na Praça da República fez com que a área fosse ajardinada e arborizada. Também as adjacências à praça, ainda longínquas do centro, entraram em grande desenvolvimento. A rua do Pocinho passou à Rua Vieira de Carvalho ligando a Praça do Arouche. O povo acorria a essa região no mês de maio para as festividades da Santa Cruz do Pocinho.

Aos poucos, a área foi se remodelando, constituindo-se em certo período de vida urbana paulistana em centro de diversões carnavalescas.Lago e Jd da praça da rep.1920

Mais tarde, a Praça da República se aristocratizou, cercando-se dos beneplácitos do progresso: mais luminosos, mão de trânsito, as jovens normalistas, estudantes da “Escola da Praça”, levando para ali a brejeirice e a alegria da mocidade. E, à noite, os estudantes de Direito, no dia 11 de agosto, teciam loas à herma de Álvares de Azevedo, sob a garoa.

Foi na Praça da República que, aos 3 de maio de 1932 tombaram quatro paulistanos cujas iniciais de seus prenomes ficou como legado à Revolução Paulista de 1932 – M.M.D.C, um símbolo do heroísmo e da consciência cívica do povo de São Paulo.

Foi ainda na Praça da República que, nos últimos anos do século XX, se realizava, aos domingos, a Feira Folclórica de São Paulo, onde se agrupavam dezenas de vendedores de artesanato e petiscos brasileiros. O afluxo de visitantes era muito grande. Conhecida em todo o Brasil, era ponto de atração de turistas até de outros países.

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Praça da Bandeira

Centro Velho de São Paulo – 450 anos de História –

Autora: Guimarães, Laís de Barros Monteiro Samarão

No ano 1879, um anúncio apregoava a venda de “ótimos terrenos” no chamado bairro: “Novo Mundo do Bexiga”, com ótimo preço a 30 mil reis o lote, “com 15 m de frente”

Na época, toda aquela região a partir do velho Piques e ladeada pelas ruas Santo Amaro e Consolação, subindo para a Av: Paulista, pertencia a Antônio Bexiga. Sua chácara chamava-se Chácara do Bexiga, que em 1559 integrava a sesmaria do Capão pertencente a Antônio Pinto. Em 1750 estavam na propriedade de Pedro Taques.

Em seguida, foi adquirida por Tomás Luís Álvares e, em 1878, era de propriedade de Antônio Leite Braga, ano em que foi arruada e posta a venda.Pça da Bandeira 1950

Foi o momento em que a região ganhou condição de bairro- Bairro do Bexiga, desconhecendo-se exatamente porque assim foi chamada. Há varias hipóteses sendo esta a colocada pelo Professor Tito Lívio Ferreira de que “onde a História Hesita, a lenda continua...”

A casa residencial da chácara situava-se no início da atual Rua Santo Antônio ou da Rua Santo Amaro, onde também ficava um ponto de venda de animais procedentes de Sorocaba, uma espécie de feira-livre, realizada em dias determinados.

A venda dos lotes próximos ao Largo do Piques deu início à formação do bairro que o povo chamava de Cidade Nova. O Pátio dos Animais, depois Terreiro passou a chamar-se Bexiga, confundido com as terras do Largo do Piques. A chegada do progresso acabou por incorporar ao Largo do Piques o Largo do Bexiga.

O Largo foi embelezado, ampliado e modernizado, e de Largo do Piques passou chamar-se Praça das Bandeiras. “Bandeira que traz, no topo vermelho, o coração do Paulista!”. (Guilherme de Almeida).

Nessa praça, bem perto do Obelisco da memória, semanalmente se realizava um leilão de escravos, para a lavoura, o “eito” ou escravas de ganho, molequinhos negros de Bengala e raparigas da Guiné... “... os frutos do café são glóbulos vermelhos do sangue que escorreu do negro escravizado.. Segundo escreveu Ciro Costa.

Como o progresso, o velho Largo do Piques, transformado em praça da Bandeira, ganhou novas cores e sentido. Hoje é ladeada por prédios e aranha-céus. Pena que os administradores da cidade a tenham privado dos belos jardins e canteiros floridos dos anos 30 ou 40... O Anhangabaú canalizado levou da área a amarga tradição da região, tropeiros, leiloeiros de escravos, carros de boi, a ponte...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Avenida Vieira de Carvalho

Todos os Centros da Paulicéia- Ponciano Levino – 2007

Pequena e chique, com bons restaurantes e grandes hotéis. Eis uma definição que cabe para a Avenida Vieira de Carvalho. Esta antiga viela faz parte do passado de São Paulo. Era conhecida no século XIX como rua do Pocinho, por estar nas imediações da capela de Santa Cruz do Pocinho. No final do século XIX, havia uma festa de rua por toda a extensão da viela. No dia 13 de maio, desde a praça da República até o Largo do Arouche, eram montadas barraquinhas e tenda onde se vendia de tudo e se bebia também de tudo. Era igual às festas  que acontecem hoje em determinados quarteirões e bairros.alt

A alegria não durou muito, um mal-humorado bispo, dom Duarte Leopoldo e Silva, tratou, em 1909, de dar um fim à festança que reunia uma grande multidão.

O nome foi uma homenagem ao doutor Joaquim José Vieira de Carvalho, um professor de direito do Largo de São Francisco e um político muito querido na capital. Depois de remodelada e alargada, a ruela recebeu o nome de Vieira de Carvalho em 1921.

Apesar de seu pequeno tamanho, a Vieira de Carvalho bons hotéis e bons bares e quase nenhum restaurante. Os hotéis Vila Rica e Bourbon. continuam.

Nas noites próximas do fim de semana a comunidade GLS tem feito da rua e de seus bares um point alegre.