A rua é para os dicionários apenas um alinhado de fachadas por onde se anda nas povoações. Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator na vida das cidades, a rua tem alma!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
As Pontes da Cidade II
domingo, 7 de agosto de 2011
As Pontes da Cidade
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| Ponte do Lorena , Hoje Praça da Bandeira |
domingo, 31 de julho de 2011
Joias do Beco do Mata Fome
São Paulo Histórico –Vol I - Nuto Sant’Anna, pág 93
Contam os antigos da Paulicéia que existia um prédio baixo, de paredes irregulares, de taipa de pilão e beirais que pareciam a aba de um chapéu desabado, no antigo caminho de Pinheiros, fronteiriço á esquina do beco do Mata Fome. Era onde se abastecia de farinha e feijão o povo. Escravos fugidos, escondidos nos campos do Bexiga, ou no Pirajuçara, Mboy, atual Embú das Artes, ou Carapicuíba, ali paravam furtivamente para um gole de cachaça.
Pelas ruas exíguas, tortuosas, os estudantes passavam enrolados nas suas capas; á noite erravam em serenatas, e um deles, Álvares de Azevedo, a cavalo pelos bairros longes, ou a pé, quieto e cabisbaixo, o olhar vago, a barbicha rala, pálido, caminhava ao acaso, empurrando o seu vulto meditativo, sem que a turba ignara soubesse que ia conduzindo nos ombros pedras para o edifício da beleza...
Nesses tempos, a cidade era romântica, tristonha, religiosa.
Os negros andavam de curote à cabeça em torno do chafariz ou pelas fontes. Vinham dos quintais cantorias de mucamas gordas. O rumor dos pilões socando, tinham ressonância de urucungos. E pelos pedregulhos das ruas esburacadas trotavam, sob as cangalhas de couro grosso, tropas lentas e serviçais...
O dono desta taberna do Mata Fome, um dia chamara um pedreiro para concertar umas goteiras no telhado. O mestre de obras veio, poz a escada, trepou. Lá em cima, quando embarafustava por entre as ripas, deu como pé em um corpo estranho, que rolavam no tosco forro de velhas tabuas empoeiradas. Ao rumor, voltou-se. E viu, deslumbrado, uma porção de jóias, pedras preciosas, moedas de ouro, prata, tudo chamejando.
O pedreiro, um português de meia idade, que viera ao Brasil em busca da milagrosa Árvore das Patacas, ficou estático como Ali-Babá ante os tesouros da Gruta dos Quarenta Ladrões.
Agachou-se, sondou, verificou. O sonho era realidade. Com avidez, encheu os bolsos o mais que pode com aquelas preciosidades. Desceu logo depois. Sem mesmo ter dado começou aos serviços de retalhamento.
Ao dono da venda disse vagamente que ia buscar umas ferramentas.
E saiu voando, Sem olhar para traz. Tinha asas nos pés.
Desceu pela Rua do Paredão, enveredara pela dos Piques.
sábado, 23 de julho de 2011
Rua Vitória
São Paulo de Outrora, Evocações da Metrópole – Moura, Paulo Cursino de Moura
Aberta em 1810, esta rua recebeu a primitiva denominação de Rua de Santo Elesbão, numa referência à Irmandade religiosa de mesmo nome que tinha sua sede na Igreja de Santa Ifigênia. No dia 28/11/1865, por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, este nome foi alterado para Rua Vitória, numa referência à vitória alcançada pelas tropas brasileiras na célebre Batalha do Riachuelo, travada a 11/06/1865, durante a Guerra do Paraguai.
São Paulo, porque o Brasil ganhou a guerra do Paraguai, guerra lendária que ultrapassou o limite de um episódio guerreiro para constituí-se em epopéia, resolveu enfatizar nas ruas dos seus bairros, residenciais, abertos em 1870, a Aurora, a Vitória, e o Triunfo. Daí, as ruas que conhecemos, Rua Aurora, Rua Vitória e Rua do Triunfo.
domingo, 17 de julho de 2011
Rua Sete de Abril
Todos os Centros da Paulicéia - Ponciano, Levino
A Rua Sete de abril nasceu em 1872 e no início era um simples caminho que ia do Largo dos Curros (praça da República) ao largo da memória., no largo muito mais amplo que o Anhangabaú. Seu primeiro nome era Rua da Ponte Nova do Lorena. Com a abertura da Faculdade de Direito, a rua mudou de nome e ganhou vida nova. Era a famosa Rua da Palha, onde os estudantes criaram suas repúblicas.
Alguns anos depois, a Rua da Palha abrigou uma nova clientela trazida pela atividade de belas jovens barulhentas, cuja profissão era fazer felizes os garotos estudantes. Eram as prostitutas “polacas” chegando para a alegria dos futuros advogados.
O nome sete de abril veio da abdicação de Dom Pedro I, em 1831. O filho do imperador, Dom Pedro II, tinha seis anos na época e ficou sob a tutela de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da nossa independência.
O mundo dos primeiros anos de São Paulo girava em torno do centro; tanto, que o maior museu da América Latina se fixou na Rua Sete de abril de 1947 a 1968. Aí, sim, o centro ficou mais central. Funcionava no prédio dos Diários e Emissoras Associadas, o grande edifício que Assis Chateaubriand ergueu para comparar-se ao dos Matarazzo, seus arquiinimigos. Como vingança, Chateaubriand comprou terrenos na Rua 7 de abril e fez um edifício de quinze andares, dois a mais que o dos rivais, com o mesmo mármore da melhor qualidade que eles usaram e com um andar dotado de dois mezaninos de 500 metros quadrados. Ele instalou um museu de arte antiga e moderna, projetado pelo arquiteto Villanova Artigas. Era muita ambição ter um museu dessa importância, com acervo em grande parte adquirido por alto preço. Mas ele conseguiu!
Na Rua: Sete de Abril estava também um clube de artistas e dos amigos das artes, ponto de encontro de escritores, jornalistas, intelectuais, artistas plásticos e boêmios em geral.
domingo, 10 de julho de 2011
Avenida São Luiz
Ainda guarda um ar aristocrático a bela avenida Sâo Luis. Deve ser o grande número de agências de turismo que existem por ali somado a elegante loja da H.Stern da esquina da avenida Ipiranga, além é claro dos imensos edifícios. Nos primeiros anos do século XX, majestosas residências e belos palacetes e solares de famílias quatrocentonas enfeitavam a paisagem de uma área que já havia sido chamada de beco Comprido. O terreno da São Luis pertencia ao senador e barão Francisco Antônio de Sousa Queirós. Tomou o nome de São Luis em 1860, em homenagem ao Bragadeiro Luis Antônio.
Por um bom tempo, nos anos 1960 e 1970, alguns bares conseguiram manter-se por ali, como o Barba Azul, abrigado quase na esquina com a avenida Ipiranga. Tinha até mesinhas pela calçada, uma beleza. No sentido inverso, na esquina da rua da Consolação, havia um restaurante freqüentado pelos editores de jornais, empresários e homens de negócios. Repórter, só no dia do pagamento, e olhe lá! (1).
Essa via pública remonta aos tempos primitivos da cidade. Teve a denominação, antigamente de Beco Comprido.
É uma rua tradicional, das primeiras que se formaram ligando a Consolação à Vila Buarque.Faz parte do bloco do qual se originou a rua Araujo, “trecho do antiqüíssimo caminho colonial que ligava o centro da cidade ao Rio Pinheiros”
A rua São Luis foi uma das mais bem nascida no bairro da Consolação no ano de 1828, cujo nome deveu à Irmandade de Nossa senhora da Consolação.
Tornou-se a avenida que hoje conhecemos para amarrar o círculo de ligação urbanístico, irradiadora da metrópole idealizado pelo Plano de Avenidas do então prefeito Prestes Maia.(2)
(1)Todos os Centros da Paulicéia – Ponciano, Levino
(2) São Paulo de Outrora Evocações da metrópole – Moura, Paulo Cursino
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Rua 24 de maio
São Paulo de outrora, Evocação da metrópole-Moura Paulo Cursino
A 24 de maio de 1866, aconteceu uma das mais duras batalhas, que mencionam os militares da América meridional. Travou-se m Tuiuti perto do acampamento entrincheirado de Rojas, donde os paraguaios saíram com todo o seu poder de fogo. A vitória foi nossa, ficando mortos no campo número de inimigos superior a três mil.
O general Osório, então já nomeado Barão de Herval, sentindo-se enfermo, retirou-se da campanha e passou o comando do exército ao marechal de campo Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão, depois Visconde de Santa Teresa, que assumiu a 15 de julho.
Abatalha de tuiuti foi, efetivamente, a mais completa realização militar na guerra contra Lopez, e tanto que teria posto fim às hostilidades, se o general em chefe do exército aliado, Mitre, tivesse concordado com a dercisão do general em chefe do exército brasileiro Osório. Este, disciplinado como era, apesar dos seus galões na hierarquia militar, não contrariou a opinião do general argentino, comandante de todos os exércitos em luta, em virtude do tratado de aliança. Se o tivesse contrariado as ordens e perseguido os retirantes em território paraguaio, teria infligido derrota completa e irremediável, teria posto fim a guerra, teria antecipado de quatro anos a empolgante tragédia que só se consumou em 1º de março de 1870. Mas, a estratégia do grande militar argentino, apoiada, não há dúvida, na boa fé e na prudência, evitou a audaciosa e estupenda arremetida que Osório, possuído do fogo do ideal, sonhou realizar, num repente, para a conquista do galardão da vitória. Da recusa ao sonho do mais extraordinário guerreiro do Paraguai, veio toda conseqüência de males , de privações, de vidas tombadas, do sacrifício da nação, em quatro anos a mais de guerra, guerra que atrasou de 30 anos o progresso do Brasil.
O general Osório se retirou do campo da luta por briga entre ele e Mitre, por causa de Tuiuti. Para ele, Osório, a guerra estava terminada. Retirava-se e os outros que brigasse. Aqueles que tinham prazer em derramar sangue dos próprios patrícios e dos vizinhos.

