domingo, 22 de maio de 2011

A burocracia no comércio do século XVII

Ponciano Levino, Todos os centro da Paulicéia

A burocracia que está na vida brasileira tem suas raízes na pátria mãe Portugal. O povo português era famoso por seus trâmites burocráticos e isso eles trouxeram logo nos primeiros navios com que aportaram em terras paulistas.

Assim, para exercer qualquer tipo de comércio,mascate o cidadão de São Paulo precisava ter autorização expressa da Câmara Municipal, o que obtinha após ter preenchido diversas formalidades, ter pagado taxas, ter respondido a perguntas etc...

Já naquele distante século o cidadão percebia que, diante de tantas formalidades, o melhor era a informalidade. E os vendedores ambulantes proliferaram, vendendo de tudo. Eram os chamados mascates.

Diante da perda de receita, a Câmara entrou em ação e proibiu tal comércio...A exemplo do que acontece nos dias atuais, a lei não vingou e os mascates continuaram a vender, prosperaram e se multiplicaram.

Procura-se funcionário para “serviços gerais”

A partir de 1775, tornaram-se raros os enforcamentos em São Paulo; tanto assim que nem carrascos a prefeitura tinha, isto é, não tinha até a chegada do governador e capitão-geral Martim Lopes Lobo de Saldanha, segundo o historiador Nuto Santana, um sujeito azedo de maus bofes. Uma de suas primeiras providências foi recrutar um sujeito capaz de enforcar com maestria. Tratava-se de um funcionário público com horário flexível, já que os “melhores enforcamentos” aconteciam aos domingos e feriados. O capitão ficou anos esperando um bom funcionário, pois o vice-rei não estava disposto a gastar com mais um empregado. Os condenados de São Paulo, para tristeza de Saldanha, eram executados no Rio de Janeiro, porque aqui não havia Junta de Justiça.

Anos depois, os enforcamentos voltaram a todo vapor. Dessa feita, no largo da Forca, no bairro da Liberdade.

domingo, 15 de maio de 2011

Nos indos de 1700 – II

Ponciano Levino, Todos os centros da Paulicéia

Dura e sofrida era a vida de escravos na pequena vila e nas grandes fazendas. Era uma vida tão miserável que eles preferiam tentar a fuga e ficar no mato a enfrentar a tal jornada sangrenta de trabalho. E fugiam para os lados do Ibirapuera, do Jabaquara e para outros quilombos. No propósito de evitar essas fugas, em 3 de março de 1741, segundo relato de nuto Santana no seu São Paulo Histórico, decretou-se: “Hei por bem que (em) todos os negros que forem achados em quilombo, estando nele voluntariamente, se lhes ponha com fogo uma marca em uma espádua com a letra F (de fugitivo). Se o escravo fosse achado de novo em quilombo, ser–lhe-ia costada a orelha.

Um sinal de sucesso de São Paulo: os Bispados, importantes passam para instalação da administração eclesiástica, foi criado em 29 de abril de 1745 eCasa do Brigadeiro Tobias, para o posto, Benedito XIV nomeou dom Bernardo Rodrigues Nogueira. Nesse dia, a cidade tomou um ar de festa raramente visto para receber seu primeiro bispo. Geraldo Dutra de Moraes conta que a festança teve cunho religioso e profano e contou com a coexistência pacífica de brancos, índios, negros e mamelucos: nobres e pobres; militares e, claro, políticos.

A Câmara interpelou, em 18 de novembro de 1747, o cidadão Sebastião Fernandes de Oliveira, que, lá pelos lados de Santo Amaro, andava obtendo aguardente sem autorização (o que era proibido). O álcool era usado contra as três grandes doenças que dizimavam a população: a varíola (ou bexiga), a disenteria e o sarampo.

O comprador Sebastião adquiria muita aguardente de vendedores diversos. A alegação do coitado foi que em sua casa o sarampo estava contagiando várias pessoas da família.

O tenente-general José Arouche de Toledo Rendon destacou, em uma de suas obras, que, em 1788, o morador de São Paulo e os índios gostavam de aguardente. Ele, um defensor dos índios, garantia que os paulistas viviam mai  s animados do espírito da caninha do que do amor ao trabalho. Giberto Leite de Barros enfatiza que os indígenas fabricavam o cauim e o bebiam dias e dias sem parar.

Em sinal de fracasso para a antiga Vila de Piratininga: em 1748, o Conde de Sarzedas (hoje nome de rua nas imediações da Praça da Sé), por ordem de Dom João V, acabou com a Capitania de São Paulo, encampando-a à do Rio de Janeiro, além de tirar-lhe os territórios que correspondiam aos atuais estados do Mato Grosso e de Goiás. Quase vinte anos depois, em 6 de janeiro de 1765, por meio de carta régia, São Paulo voltou a ter autonomia e passou a ser governada por capitães-gerais. A cidade permaneceu pequena até o momento em que a lavoura de café começou a deslocar-se em direçãoàs terras paulistas. A população de São Paulo na época era de aproximadamente 8 mil habitantes

domingo, 8 de maio de 2011

Por Volta de 1700

Todos os centros da Paulicéia, Ponciano Levino

Nos idos de 1700, heróico carcereiro escapou dali e sumiu da cidade de São Paulo de Piratininga. Na Vila de São Paulo, os pães eram feitos por padeiras. Sim, padeiras. Mulheres e suas escravas. Uma delas era Ângela, famosa na capital por seu gênio forte e por ser uma das melhores padeiras. Era tão famosa que uma viela perto da rua Quintino Bocaúva se chamava “Beco da Ângela Vieira”. Interessante também é que, quando a dama morreu, essa viela ficou conhecida como o “Beco da Defunta Ângela”

Em 1730, a segurança da cidade de São Paulo era fácil de fazer; bastava tomar conta de alguns desordeiros e bêbados na cadeia. No entanto, assim como para o emprego de carrasco, não havia candidatos para essa função. Estranho: nossos antepassados não gostavam de ser funcionário público... Conseguiu-se, enfim, na bacia das almas, um sujeito que topou o emprego de carcereiro e que, além de mal remunerado, recebia sempre atrasado o seu dinheiro. Chamava-se Antônio Machado – “um tipo valente e cumpridor dos seus deveres”, era o que dele então se dizia.

Na época, a varíola dizimava a população na capital e a cadeia não era um exemplo de higiene. (poucas coisas mudaram  no sistema prisional com os séculos!). Uma noite, os presos fizeram um buraco na parede, por onde todos eles fugiram. Ficou o carcereiro sozinho pensando no castigo que as autoridades lhe dariam pela displicência. Poderia ser até enforcado.

Não pensou muito, porém: pelo mesmo buraco e pelo mesmo caminho, o heróico carcereiro escapou dali e sumiu da cidade de São Paulo de Piratininga.

Em 1739, os vereadores convocaram as padeiras para uma audiência. Havia muitas reclamações do tpão francesamanho do pão, que eram pequenos demais. Nos séculos seguintes, sempre se haveria de supor, como nós agora supomos que isso não é novidade em São Paulo. A discussão foi acirrada e as mulheres optaram por uma paralisação. Sim, uma greve. Pararam a fabricação do santo pão. Diante do impasse, prevaleceu ( como sempre a ditadura machista, própria dos hipéricos. Dado que ninguém se prontificava a fazer pão, os vereadores optaram pela violência: ou elas voltavam ao trabalho, ou pagariam multas e seriam presas e até mesmo torturadas. Diante das ameaças, as companheiras, em assembléia, decidiram pela “volta imediata ao trabalho”.

domingo, 24 de abril de 2011

Antônio Prado Primeiro Prefeito de Sampa

(1)Jorge, Clóvis de Athayde – Consolação uma reportagem histórica.

(2)Ponciano, Levino – Todos os Centros da Paulicéia

Na antevisão de sobrecargas governamentais, pela ampliação dos quadros legislativos interioranos, criados com a república, e na decorrência de problemas de âmbito econômico-fiscal, o governo do presidente Fernando Prestes de Albuquerque deliberou outorgar autonomia à cidade de São Paulo. E assim, por deliberação da Câmara Municipal, contida na Lei nº 374, de 16 de novembro de 1898, institui-se o cargo de Prefeito do Município, com a responsabilidade de cuidar e gerir o Executivo, segundo aquela diretiva.

Foi então que por votação unânime foi escolhido o Antonio da Silva PradoCafeicultor proprietário da Fazenda Guatapará e de outras, industrial, fundador da Vidraria Santa Marina, em 1892, ex-presidente da Assembleia Provincial, em 1888, o conselheiro Antônio da Silva Prado (25/05/1840 a 23/04/1929). Reelegeu-se quatro vezes até 1910, quando foi substituído pelo barão Raimundo Duprat (11/12/1863 a 17/05/19260 em 15 de janeiro de 1911.

Na sua gestão o prefeito Antônio Prado, desenvolveu intensa obra urbanística no núcleo antigo, nos bairros mais distantes e na cidade nova, ao seu tempo já servida pelo Viaduto do Chá. No levantamento que se fez, quase ao final do seu último mandato; a cidade contava com 23.427 árvores plantadas em ruas e praças públicas, 32 avenidas, 41 alamedas, 903 ruas, 32 travessas, 20 praças ajardinadas e 3 jardins públicos. Em 1910, quase todas as ruas principais estavam iluminadas com energia elétrica e as linhas de bonde se irradiam em todas as direções.

Tomara providências, de modo especial, no tocante ao abastecimento de água, atribuindo tal incumbência ao dr. Theodoro Sampaio que traçou o plano para a captação do ribeirão Cotia e a construção do Reservatório do Araçá. Obras que começaram em 1909 e foram dirigidas pelo engenheiro Heribaldo Siciliano, construtor do atual Mercado Municipal e diretor da Companhia Mecânica e Importadora. Mas, a sua principal realização, particularmente ligada ao bairro da Consolação, seria a construção do Teatro Municipal

Em 21 de novembro de 1898, deu-se a primeira eleição municipal para prefeito de São Paulo, tendo sido eleito o conselheiro Antônio Prado. A população gostou da experiência: o conselheiro foi tão bem-aceito, que se reelegeu para mais três mandatos, ficando no poder até janeiro de 1911.

Antônio Prado foi o administrador que deu “cara” de metrópole à Vila de Piratininga. Dentre outras ações, reorganizou o centro da cidade, ampliando ruas e abrindo outras. Autorizou loteamentos que deram origem a novos bairros e substituiu o gás de carvão que iluminava logradouros pela energia elétrica. Tudo para que a cidade acompanhasse o vertiginoso crescimento provocado pela chegada de milhares de imigrantes vindos de todos os cantos da Europa.

O conselheiro e prefeito por quatro vezes deu nome à atual e central praça Antônio Prado.

domingo, 10 de abril de 2011

Rua da Consolação

Todos os Centros da Paulicéia, Ponciano Levino

É pouco larga, extensa, tortuosa”. Assim era descrita a rua da Consolação em 1900. Veja só a grande reta que temos hoje.

Por volta de 1865, a grande avenida da Consolação, hoje larga e sempre congestionada, era uma pequena rua que servia de caminho para o longínquo bairro de Pinheiros e a cidade de Sorocaba. A freguesia da Consolação nasceu do retalhamento de chácaras em 1870, e naquele ano já registrava mais de 3.500 almas. Seu segundo nome foi ladeira do Piques, em homenagem a um comerciante muito popular. Diz a lenda que Antônio Ferreira Piques era famoso “ o mais querido leiloeiro de escravos de São Paulo”. Antes ainda, a Consolação teve o nome de Anhangavahi de cima. Igreja da Consolação

A igreja Nossa Senhora da Consolação, é que emprestou seu nome ao bairro e a avenida e em 1871 já era uma grande paróquia. O bairro era constituído de casas modestas, até que chegaram os barões do café com seus casarões e mansões, mudando por completo a paisagem. Em 1900, tinha seus palacetes na Consolação o doutor Nicolau de Sousa Queirós e Antônio Queirós.

O local começou a ser procurado pelos novos ricos brasileiros, os imigrantes enriquecidos pelo comércio.

Aos pouco, quando os barões se cansaram e foram deixando as mansões de lado, a região iniciou seu declínio. Da mesma forma e quase ao mesmo tempo, estabelecimentos comerciais foram tomando conta das imediações. Hoje a Consolação é um bairro eminentemente comercial, com uma vida noturna bem agitada graças aos alunos do colégio e faculdade Mackenzie

È na tradicional avenida da Consolação que está o restaurante Sujinho que marou época em São Paulo e que continua muito frequentado. O Sujinho é um estabelecimento típico das madrugadas de São Paulo, por isso é carinhosamente chamado de “Bar das Putas”.

Agora , na Consolação, o paulistano encontra tudo em matéria de lustres, abajures, luminárias e material elétrico.

domingo, 3 de abril de 2011

Vale do Anhangabaú

Centro Velho de São Paulo 450 Anos de História – Guimarães Laís de Barros Monteiro Samarão

Todos os Centros da Paulicéia –Ponciano, Levino

A Chácara mais central de São Paulo era a do Barão de Itapetininga, chegando até o último quartel do século XIX. Era a Chácara do Chá, que se iniciava na Rua Nova de São José, atual Líbero Badaró, e se estendia até o Campo dos Curros, Hoje Praça da República, tendo como limite Norte a Avenida São João, e Sul os campos do Bexiga.

Chamou-se Chácara do Chás porque esse vegetal se disseminava por toda a encosta do Vale do Anhangabaú, nomeando a região, Morro do Chá.

O Rio Anhangabaú, cujo trecho superior foi canalizado sob a Av: 23 de Maio, na margem esquerda receTeatro Municipal e início da Xavier de Toledobia como afluente o Rio Saracura, atualmente sob a Av Nove de Julho. Esse rio tinha um pequeno afluente que era o Ribeirão do bexiga, entre as atuais Rua Santo Amaro e Santo Antônio, o qual cortava os Campos do Bexiga onde situava-se um pouso de tropeiros. Exatamente no ponto em que esses três rios se encontravam, havia uma ponte de pedra que se chamava Ponte do Lorena. Em 1790, o capitão-geral Bernardo José de Lorena mandou construir a ponte 7 de abril (antiga Ponte dos Piques). Era uma ponte de madeira que o tempo e as enchentes de verão acabou por derrubar. Ou seja, o cidadão, para ir do planalto até os lados de onde está hoje o Teatro Municipal, tinha de descer a encostas, atravessar o vale, passar pela Ponte do Lorena sobre o rio Anhangabaú e subir, dando volta. Era um grande exercício, principalmente na época das chuvas.

Além dos problemas minerais o pobre Anhangabaú, nos primeiros anos do século XVII, o Matadouro Municipal era na rua Humaitá, ne Bela Vista, e um córrego levava para o ribeirão toda sorte de detritos, restos de sangue, caveiras, chifres, o que deixava as águas avermelhadas e o ar fétido. Como se não bastasse, a região era um ajuntamento de bandidos.

Essa Ponte do Lorena, uma das três pontes de pedra da cidade, era muito importante para o acesso ao centro, eis que desse partiam três ladeiras convergindo para a região da ponte.

Nas terras da chácara foi aberta a Rua Formosa, ligando a região dos Piques com a Ladeira do Acu, hoje Avenida São João, rua muito significativa na estrutura da Cidade Nova, O Piques era um local de grandes atividades comerciais, para onde convergiam tropas de mula que chegavam à cidade pela Estrada do Piques ou pelo Caminho de Santo Amaro.

Em 10.07.1854, o Correio Paulistano noticiava que a Chácara do Chá era um entrave ao acesso da região norte da cidade. Assim, era, tanto que o habitante do Piques que quisessem ir para os lados de Santa Ifigênia, tinha que atravessar o desfiladeiro junto à Rua Nova de São José, ou galgar a íngreme Rua da Palha ( Hoje Sete de Abril)

Cresciam a cada dia as reclamações para a facilitação do trajeto entre aqueles dois pontos, do Piques com a região norte da cidade. Em 1855, na Chácara do Chá foi aberta a rua Formosa, dando início ao arruamento do Morro do Chá, ou seja, da formação da Cidade Nova.

Mas a população e a imprensa da época continuaram com suas reclamações, visando a ligação da rua Formosa com o Campo dos Curros, cuja ligação até então se fazia por intermédio da Rua da Palha e Rua São João. A Ladeira da Palha (atual Ladeira da Memória) continuava pela Rua da Palha.

O Largo da Memória era delimitado pela Ladeira da Palha, Ladeira dos Piques e Rua do Paredão que hoje é a rua Xavier de Toledo, cuja topografia ainda pode ser observada no presente.

No ponto de convergência das duas ladeiras há o Chafariz da Memória.

Atravessada a Ponte do Lorena, entrava-se na Cidade Nova, onde, uma rua larga” até um ponto um pouco mais elevado, ficava a Ermida de Nossa Senhora da Consolação, que era o fim da cidade. Daí para frente, era aa estrada para Itu e Sorocaba.

Do lado norte dessa região, a Ladeira de São João, já em 1887, estava calçada com paralelepípedos.

No ano de 1850, uma grande enchente na região do Piques arrasou a velha Ponte do Lorena e em seu lugar foi edificada uma nova ponte reta.

Durante muitos anos, a Rua Formosa era exclusiva ligação entre as ruas de São João e da Palha, tempo que a cidade ficou praticamente inalterada. Essas ruas, por sua vezes, faziam ligação da Rua Formosa com o Campo dos Curros.

Na presidência de João Teodoro Xavier, a Baronesa de Tatuí (viúva do Barão de Itapetininga) ofereceu à municipalidade o terreno para a abertura da rua que ligaria o Campo dos Curros à Rua Formosa, impondo a condição de que a rua de ligação recebesse o nome de sue falecido marido, nome que permanece até os dias atuais – Rua Barão de Itapetininga.

O Bairro do Chá começou a ser edificado em 1879, já que Bouvard transformou uma área do Morro do Chá no jardim atualmente existente na lateral esquerda do Teatro Municipalidade.

Em 1888, a rua Barão de Itapetininga foi substancialmente alterada e com ela toda a região.

Logo se iniciaram as obras do Viaduto do Chá.

Quanto à Rua Santa Ifigênia, em 1842, era uma saída para o Caminho do Ó! Era uma das regiões mais antigas da cidade, ao lado da Sé.

domingo, 27 de março de 2011

Largo o Arouche

São Paulo de ontem e de hoje - Oferta da Predial Novo Mundo S/A

Existem recantos em São Paulo, cujos nomes, dados pela municipalidade para substituir as denominações antigas, sofrem uma resistência tenaz por parte do povo. Ainda há pouco tempo a Avenida Paulista voltou a ser chamada assim, embora a prefeitura houvesse determinado uma nova nomenclatura. O povo, embora reconhecendo a grandeza e a justiça da homenagem ao homem a que se procurava reverenciar, não reconheceu essa mudança e continuou chamando: Avenida Paulista. E a Prefeitura cedeu. O povo tinha razão.... O) nome avenida Paulista tinha mais propriedade para qualificá-la.

Entretanto, há muitos anos, o mesmo povo de São Paulo aceitou e aplaudiu um novo batismo.

Havia um largo bonito, movimentado, fértil e próspero, ao qual, graças ao seu aspecto sempre festivo, tinha sido consagrado como a Praça da Alegria.

Ali se comprimiam as almas religiosas, nas grandiosas procissões da lendária Igreja de Santa Cruz do Pocinho. Erguiam-se os mastros dos mais acreditados circos de cavalinhos...Ficava-lhe bem o nome: Praça da Alegria.

Até que um dia, um marechal invadiu os seus domínios e imprimiu uma feição progressista. Era o homem dinâmico da época. Bacharel em direito, militar, político, agricultor, industrial e comerciante.

Abriu novos caminhos. Impôs ordem. Acomodou o ambiente as circunstancias. Plantou o seu chão. Ninguém como ele para ser o padrinho do Largo. Tinha direitos adquiridos. Por isso, o povo se congratulou com a Câmara, quando resolveu substituir o nome de Praça da Alegria, para homenagear esse espírito empreendedor.

Basta que eu pronuncie o nome dessa figura histórica e proeminente no São Paulo de ontem, para que o leitor deduza de que Largo estamos falando. Estamos nos referindo ao Marechal José Arouche de Toledo Rendon.

E quando se aventou perpetuar a obra desse vulto, substituindo o nome de Praça da Alegria, para Largo do Arouche, o povo bateu palmas: muito bem!!!!

José Arouche de Toledo Rendon, antes de mais nada, demarcou a Cidade Nova, que se estendia desde o Morro do Chá até aquelas cercanias. Abriu as perspectivas do Largo. E iniciou a cultura do chá em São Paulo, dentro da sua própria chácara que era situada nos terrenos onde hoje está construído o Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, entre as ruas Dona Veridiana, Marques de Itu Cesário Motta e Jaguaribe chácara era um velho casarão de 12 janelas de frente, ainda existente na Rua Santa Isabel n 3 (atualmente é o Museu da Luza e Força), onde residiu e faleceu Arouche, aos 26 de julho de 1834, e que depois serviu de solar a Família Rego Freitas. Primitivamente a chácara o Arouche estendia-se da rua da Alegria (Hoje Sebastião Pereira) até ao Beco do Mata Fome Hoje Rua Araújo).

Foi considerado a capacidade mais produtiva da sua época.

Como militar o seu nome está perfilado juntamente com os nomes mais cintilantes da história. Como político tornou-se indispensável por seus sábios conselhos aos capitães-gerais que tinham as rédeas da província.

Com uma figura tão proeminente na vida daqueles lados da cidade, nada mais justo do que a homenagem de deixar seu nome, como uma das lembranças de suas obras.

E o povo já se habituara a chama-lo de Largo do Arouche, quando uma reforma administrativa municipal de 1910, segundo os apontamentos de Cursino de Moura, mudou o nome da parte inferior do largo, para praça “Alexandre Herculano”.

E o povo tinha razão. Tanto assim que três anos depois da solene inauguração daquela placa de bronze, Herculano desistiu de contrariar o povo.

O largo do Arouche consagrou-se nova e definitivamente.

Quando aconteceu o advento do cinema, São Paulo abraçou com entusiasmo esse movimento. E o largo do Arouche reclamou para si o direito de evoluir neste terreno.

Se de um lado, a Rua São João se ufanava do “Bijou”, ou do “Mignon”o largo do Arouche estufava o peito, convicto da sua superioridade, exibindo o cartaz mais querido da cidade: “High Life” - a “coqueluche”paulistana, de cinquenta anos atrás.