domingo, 4 de dezembro de 2011

Festejos de Nossa Senhora do Rosário

Festejos de N. S. do Rosário

Era o festejo dos pretos devotos que não poucas vezes iam a excessos. João Amaro requereu, na sessão de cinco de janeiro de 1833, licença “para fazer danças de pretos no dia seis do corrente no Pateo do Rosário. Ordenando a edilidade que ele se dirigisse ao juiz de paz, “que lhe deferirá na conformidade das leis”. O juiz, realmente, deferirá de forma favorável aos devotos e a Câmara, sempre vigilante do bem comum, mandava o fiscal cobrar “as contas dos pretos de forma do artigo 8° das Posturas.
Por ocasião das solenidades que, antigamente, se efetuavam n igreja de Nossa Senhora do Rosário, em honra desta Santa, se realizavam também, em frente à mesma igreja, festejos populares, postando-se aí um numeroso bando de pretos africanos, que executavam com capricho, a célebre música denominada Tambaque,(espécie de Zé Pereira), cantando e dançando com as suas parceiras, que, adornadas de rodilha de pano branco na cabeça, pulseiras de prata, e de rosário de contas vermelhas e de ouro ao pescoço, pegavam no vestido e faziam requebrados, sendo por isso vitoriados com uma salva de palmas pela numerosa assistência; e, quando terminava a festa da igreja, os mesmos africanos acompanhavam, tocando quantos instrumentos esquisitos haviam, e cantando, o Rei e a Rainha, com a sua corte, composta de grande número de titulares e de damas, que se apresentavam muito bem vestidos. O Rei e a Rainha, logo que chegavam a casa, ofereciam aos titulares, que adotavam os títulos que então possuíam os antigos estadistas do tempo do império, e as damas, um suculento jantar, durante o qual trocavam-se amistosos brindes entre os convivas, mandando as majestades distribuir bebidas aos tocadores do mesmo Tambaque, e que ficavam na rua esperando a saída dos mesmos personagens, os quais, no meio de ensurdecedor barulho, voltavam para a igreja, a fim de tomarem parte na solene procissão de Nossa Senhora do Rosário. Os filhos menores de idade dos pretos africanos, acompanhados de suas mães, também assistiam as mesmas festas, apresentando-se bem vestidos, com um gorro de lã, feito de crochet, na cabeça, e trazendo, como adorno, ao pescoço um rosário de contas vermelhas e de ouro, com grande número de bugigangas, tais como dentes de onça, figas de guiné e de ouro, olho de cabra, pacova, etc..sendo que tudo isso era para livrar os pequenos filhos dos mesmos pretos africanos de algum mau olhado ou de outra  qualquer feitiçaria.
Mas nem tudo eram festas. Havia também os cerimoniais fúnebres, tocados de reminiscências africanas e tolerados pela igreja até certo ponto. Esse certo ponto foi a vizinhança que se desenvolvia em torno da igreja. São Paulo crescia e os cidadãos que vinham morar para o largo do Rosário começaram a se inquietar com a cantoria dos negros pela noite a dentro quando morria um membro da irmandade.

Bibliografia:
Igrejas de São Paulo , Leonardo Arroyo, págs 208 e 209

sábado, 3 de dezembro de 2011

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Igreja de N. S. do Rosário dos Homens Pretos

Foi concretizada no início do século XVIII. É a igreja que reunia os homens pretos e pobres da cidade de São Paulo numa associação para promover a vida cristã. Por que os pretos teriam escolhido justamente Nossa Senhora do Rosário? Este problema logo se impôs. È em Artur Ramos que vamos encontrar a explicação para o fato da preferência dos pretos de São Paulo pela virgem do Rosário. Notou o mestre que os escravos de procedência bantu, principalmente do Congo, associaram-se no Brasil em confrarias religiosas. “tendo por patronos santos católicos”. “Destas confrarias, acrescenta, as mais importantes eram a de S. Bendito, a de N.S. do Rosário dos Negros Congos, sendo que esta última já era a sua padroeira na África, por influência dos colonizadores portugueses”. As observações do ilustre estudioso dos fenômenos culturais afro-brasileiros foram feitas na Bahia e em algumas regiões do Norte do Brasil, apresentando assim a possibilidade de não poderem ser aplicadas ao sul, ou seja, em São Paulo. Engano, porém. Elas podem ser aplicadas perfeitamente em São Paulo do século XVIII, onde se realizavam de certa forma adulterada, os autos populares dos Congos e Cucumbys, para os quais “o rei e a rainha eram eleitos pela irmandade de N.S. do Rosário”. Com efeito, os estatutos da \irmandade de Nossa senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Paulo também dispunham sobre essa eleição para os festejos.
A igreja foi fundada no antigo largo do Rosário, confluência da hoje se encontra no Largo do Paissandu, vigilante de suas tradições e da curiosidade histórica.
Francisco  Nadyr Filho revela que em 1721 os membros da irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Homens Pretos enviaram uma representação ao rei de Portugal, pedindo licença para edificar um templo em que pudessem solenizar os mistérios do Rosário da Mães de deus. Em 1721, é bom que se destaque, e solicitavam que “os favorecesse com lhes mandar um sino, e um ornamento para três altar-mor e dois colaterais”. A petição foi encaminhada, segundo o mesmo autor, pelo rei, ao Provedor da Fazenda, de Santos, Timóteo Correa de Góis, para informar. Contudo, nenhum vestígio deixou a petição depois disso. Como que desapareceu nos arquivos do Provedor, sem solução.
A igreja teve três fases distintas em sua história: a) o da obtenção de provisão de ereção e instituição do templo; b) o da obtenção de fundos para a construção, pois a Irmandade era pobre, integrada por pretos e escravos de relações com alguns brancos; c) o do pedido de terreno à Câmara.
O livro de tombo da Sé, afirma que a virgem do Rosário fora “colocada pelos pobres escravos e pretos com toda a devoção na Capela que edificarão por graça do Exmo. Sr. D. Antônio de Guadelupe”.
Ao comentar a nomeação do administrador perpétuo das obras da igreja, datada de 5 de novembro de 1745, Azevedo Marques deixa bem claro que : “ cerca de 10 anos antes já existia uma pequena e pobre capela sustentada pelos devotos, e nela foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Era uma capelinha meio oculta na parte de cima do córrego Anahngabau em 1721.
Bibliografia:
Igrejas de São Paulo - Leonardo Arroyo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Igreja de Santa Cecilia

A Igreja de santa Cecília, no largo do mesmo nome, e, historicamente, quase centenária. Vem daqueles recuados anos de 1860 quando, na sessão da Câmara de 27 de setembro, foi lido “um abaixo assinado os moradores no distrito da freguesia de Santa Ifigênia significando que lado de vinte e uma assinaturas que desejando construírem um templo á Santa Cecília tem em vistas um terreno sito no largo além do tanque do Arouche”. E mais, terreno situado “entre a Rua da América e a estrada de Campinas, pedindo se lhes dê o mencionado terreno que se acha devoluto, afim de nele construírem o mencionado templo”.  
Igreja de Santa Cecilia
No terreno doado os devotos construíram a primeira capela e Azevedo Marques informa que a data do lançamento da primeira pedra é de 2 de abril de 1861. Que foi neste ano não há dúvida alguma, conforme relata em seus “Apontamentos para a História da Paróquia da Santa Cecília o cidadão Francisco Inácio Xavier de Assis Moura. Ele mesmo dá a comissão encarregada das obras, que esteve integrada por Henrique Pupo de Moraes, o capitão Francisco de Paula Xavier de Toledo, Francisco Leandro de Toledo, Joaquim José Ferreira, Damaso Nogueira de Sá, Bernardo de Figueiredo e outros. Encarregados de levantar uma “capela dedicada a São José e Santa Cecília no bairro do Arouche no lugar denominado tanque do Teobaldo”.
Naturalmente as pretensões dos devotos de São José e Santa Cecília eram bem modestas, pois a primeira capela foi humilde e frágil, “feita de madeira, sem arquitetura, nem solidez”, na descrição daquele mesmo cidadão Assis oura. Tinha somente o altar-mor, simples também, com as duas imagens de padroeiros “e dois pequenos corredores aos lados da pequena capela-mor”. Mas o suficiente para os devotos agasalharem seus pedidos e suas crenças.
E o suficiente para que começasse a crescer na paisagem quase desnuda do bairro nos meados do século XIX, por onde passavam tropas de burros, boiadas, cavaleiros a caminhos de Campinas, rumo àquele pouso último que era a Água Branca. Com efeito, já em 1869, aos 13 de abril, o edital de patrimônio da capela foi dado na Câmara Eclesiástica. O protetor e zelador da capela de “São José e Santa Cecília” informava ao vigário capitular, em requerimento, que à capela “fora Doda com uns terrenos no mesmo bairro e ao lado da capela pelos capitães Bento José Alves Pereira e sua mulher para nesse terreno construírem o necessário patrimônio da Capela”.  E pedia o zelador ao padre Joaquim Manuel Gonçalves “as diligencias precisas para semelhante fim”.
Durante onze anos a humilde capela atendeu às necessidades dos devotos do bairro então incipientes e de pouca população. Vivia sob a estola da freguesia da Consolação, de cuja igreja saia o padre muitas vezes para dizer os ofícios religiosos diante de modesto altar de São José e de Santa Cecília. Em 1880, porém, segundo ainda o cidadão Assis Moura, foi fundada a Irmandade de São José e Santa Cecília, cujo objetivo era a construção da nova capela, já que a primitiva, ou estava sendo dominada pela velhice, ou já não atendia ao desenvolvimento do bairro.
Aos 17 de julho de 1882 o bispo concedia licença “para a demolição da capela e construí-la novamente”. Os trabalhos foram feitos com certa rapidez pois dois anos depois, isto é, aos 21 de novembro de 1884 estava acabada a nova igreja, sendo concedida a benção necessária “usando da formula breve- Benedictio loci”.

Bibliografia:
Igrejas de São Paulo, Leonardo Arroyo

domingo, 13 de novembro de 2011

Igreja de Nossa Senhora da Consolação

Igreja da Consolação

A igreja de Nossa Senhora da Consolação foi fundada em 1799 pelos seus devotos, à margem do caminho de Pinheiros, hoje Rua da Consolação. Estrada de Pinheiros, segundo outras expressões, que vinha do Pátio do Colégio para as cercanias da igreja de Santo Antônio, enveredava pelo Anhangabaú e daí subia em direção à aldeia de Pinheiros, longa estrada palmilhada durante séculos pelos nossos avoengos, encontradiça nos documentos mais antigos da vila. Situava-se em terras de Angela Vieira que se estendiam até hoje Avenida Paulista, que cobriam o Caminho do Aniceto, por onde se ia antigamente também para “o Pacaembú, Eboaçava, Freguesia do Ó, ficando os terrenos em questão para cá do marco de meia légua, que delimitava a sesmaria do Rocio, portanto pelas proximidades da Avenida Paulista”.
A afirmação de que a igreja foi fundada por seus devotos em 1799 baseia-se num documento transcrito por Jacinto Ribeiro e constitui a informação mais antiga que encontramos a respeito do templo. Isso não obstante Azevedo Marques afirmar que sua edificação foi posterior a 1760, baseado em menções de Pedro Tques de Almeida Pais Leme e frei Gaspar da Madre de Deus. A verdade é que, nesses dois autores citados pelo autor dos Apontamentos Históricos, não encontramos tais menções. O documento transcrito por Jacinto Ribeiro traz a data de abril de 1799 e trata-se de um requerimento dirigido ao então bispo diocesano, D. Mateus de Abreu Pereira.
O despacho do bispo foi favorável. E já no ano seguinte, “com auxilio de esmolas angariadas deram inicio à construção da capela, a qual foi benta e inaugurada no ano seguinte, obtendo provisão para que na mesma fosse celebrado missa e mais atos divinos”. Ao contrário do que geralmente é aceito, a mais antiga referência da igreja de Nossa Senhora da Consolação nos atos oficiais da Câmara não é de 1832, ou mais explicitamente, de 18 de junho de 1832, que, entre outras coisas diz... “do lado da Consolação, da igreja em diante”... Não, não é. No dia 23 de novembro de 1803registrava-se na Câmara um ofício que expunha as necessidades de água que padeciam “os moradores do bairro de Nossa Senhora da Consolação desta cidade”, o que implicava na existência de uma igreja, como sempre foi, geralmente, do hábito e da técnica, ou seja, o bairro tomar o nome do orago do templo que ai se encontrava localizado.
Em 1829 há uma nova informação provando a existência da capela da Consolação. É o que se lê do ofício da Câmara ao Sr. Francisco de Castro do Canto e Mello, que “se oferecera para a reedificação da estrada que segue da capela da Consolação até a Ponte dos Pinheiros”. Ainda mais; na planta da cidade de São Paulo de 1810, figura a capela de Nossa Senhora da Consolação, podendo-se afirmar que tão logo o bispo despachou a petição de Luiz da Silva e “mais irmãos devotos” começaram eles a edificação do templo que, como tantos outros, se revestia de simplicidade própria da época e de seus recursos. Zona ruim era essa que cercava a humilde igreja da Consolação, cheia de pantanais, barro, lama, grandes buracos de águas estagnadas.
A Câmara, na sessão de 15 de março de 1834 , ordenara ao seu fiscal que examinasse “outro pantanal que há na estrada diante da Igreja da Consolação na subida do morro.
Bibliografia:
Igrejas de São Paulo - Arroyo Leonardo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia





Foi conhecida também como a igreja dos sinos quebrados. A Santa Ifigênia da rua do mesmo nome, na esquina da Rua da Conceição. Igreja antiga, querida dos paulistanos oriunda do século XVIII, igreja que encheu a cidade com o som insistente, constante, dos seus sinos inumeráveis durante quase dois séculos. Os sinos enchiam a cidade inteira, chegando mesmo a incomodar os pacatos paulistanos de duzentos anos atrás. A Câmara de São Paulo, em sessão de 8 de maio de 1835, recebeu uma indicação no sentido de representar ao bispo diocesano contra o abuso dos dobres dos sinos. Nessa mesma oportunidade o vereador Joaquim Olinto de Carvalho ofereceu um projeto de postura que,, afinal, foi aprovado na sessão de 16 de junho desse mesmo ano “sobre dobres de sinos”. Os sinos de Santa Ifigênia quebravam muito, tanto tocavam nas tardes roceiras da cidade provincial. Dobravam a propósito de tudo, como os dos demais templos, de incêndio, de festas, de batizados, de enterros, pela chegada de bispos ou sacerdotes importantes, pela chegada de gente graúda do governo. Em tudo isso, pelo seu bimbalhar festivo se destacava o sino da igreja de Nossa senhora da Conceição. Vira e mexe lá vinha um pedido do vigário para a Câmara pedindo um sino novo, ou “authorisme  pa mandá-lo fundir de novo, no q. gastará 50 e tantos mil RS”.


Numerosos foram os sinos quebrados. Necessário frisar que tudo isso era ocasionado por abuso dos vigários, dos cristãos, dos diretores da irmandade religiosas. Mais de uma vez a Câmara, que mantinha suas responsabilidades sobre as igrejas, viu-se obrigada a tomar providências. Em 1836 por exemplo, as posturas de fevereiro dispunham sobre os dobres dos sinos, em casos de incêndio, de inundação, de morte e de grandes acontecimentos. Em caso de incêndio sobre ameaça de multa, todas as igrejas deveriam bater os sinos. Em caso de morte as pancadas deveriam ser lentas, como convinha aos instantes dramáticos em que o homem volta a sua condição de pó. A intimidade da Câmara com as igrejas nessa primeira metade do século XIX parecia intimidade de namorados, enfeitada, é bem de ver, de não poucos arrufos. Era como se a Câmara cuidasse mais das necessidades da alma e das crenças do que do corpo e da saúde dos munícipes, que pisavam nas ruas, sujas, vielas, incomodados por animais. Saindo-se fora do perímetro limitado pelo Pátio do Colégio e mais algumas ruas, o paulistano era um tipo infeliz. Mas fora disso a Câmara aprimorava os seus cuidados pelos templos.

Bibliografia:
Igrejas de São Paulo. Arroyo, Leonardo


domingo, 30 de outubro de 2011

Rua dos Gusmões

Recebeu este nome em 1865 para homenagear vários Gusmões e todos ilustres.
Na Vila de Santos, como cirurgião do Presídio, vivia um certo Francisco Lourenço, português, casado com uma senhora de nome Maria Alvares, natural da mesma vila de Santos. Pais foram esses dois os pais dos Gusmões. Varios  filhos, entre os quais alguns de certa notoriedade. E tudo isso se relaciona com o nome da atual rua dos Gusmões.
Alexandre de Gusmão
Um dos Gusmões foi o Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o grande inventor do aeróstato, que precedeu a Mantpellier, francês, nessa descoberta genial.
Os outros Gusmões conhecidos foram: Simão Alvares, jesuíta que foi um famoso pregador do seu tempo. Depois mencionamos o nome de Frei  Patrício de Santa Maria, franciscano, latinista emérito. Depois ainda, como um dos Gusmões célebres, citamos o Padre João Alvares de Santa Maria, carmelita, também tido como grande orador sacro.
Mas você dirá: - Então era tudo padre? Eram todos sacerdotes? Que família abençoada essa de D. Maria Álvares:
Todavia, há um Gusmão que não foi padre, o único. Esse é o Alexandre de Gusmão, doutor pela Universidade de Coimbra uam das maiores figuras da Corte de D. JoãoV. Era muito culto e letrado e por isso chegou a secretário particular do Rei.
E quer você saber os títulos de honra que esse Gusmão possuía? Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo, além de fidalgo ilustre da Casa Real. Era membro da Academia de História Portuguesa e Conselho Ultramarino. Representava com fino trato diplomático os interesses de Portugal na política externa, assinando e propondo tratados, alguns dos quais de grande importância para a demarcação das nossas fronteiras com a América Espanhola.
Foi esse quem, como embaixador das Cortes de Lisboa junto a Santa Sé, obteve para o seu rei  o Título de “Fidelíssimo”, D João, o Fidelíssimo. E foi nessa época que Alexandre de Gusmão muito influiu na criação dos bispados de S. Paulo, de Mariana e de Belém do Pará,
E ainda não parou nisso esse célebre Gusmão, que foi Alexandre e o único que não era padre. Como embaixador na França, sua ambição não foi demasiada, pois que rejeitou o título de Príncipe Romano que o Papa Benedito XIII lhe quis conferir.
Alexandre tinha dois filhos, Viriato e Trajano, que muito adorava e que foram vítimas de um incêndio que destruiu toda a sua casa, nela perecendo carbonizados os dois meninos. E fpoi depois desse lamentável episódio que Alexandre de Gusmão, resistindo por mais ou menos um ano à sua dor, veio a falecer.

Bibliografia:
São Paulo de Antigamente; História pitoresca de suas ruas, Manuel Vitor

domingo, 23 de outubro de 2011

Primeiro foi chamada Rua Alegre, talvez por que fosse realmente uma rua alegre naqueles tempos. Depois chamou-se rua do Seminário, pela aproximação de algum grande Seminário, no tempo. E assim foi até que se denominou Brigadeiro Tobias.
Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, o homem que, na época era considerado um dos mais atilados políticos.
Brigadeiro Tobias de Aguiar
Nascido em Sorocaba, em 1795, Tobias de Aguiar se impôs pela sua  capacidade como homem público.
Tornou-se amigo do Padre Diogo Antônio Feijó e daquele Francisco de Paula Melo, aquele mesmo orfãozinho que deu o seu nome a Rua Paula Souza.
Hoje esta rua lembra um herói que participou de muitas lutas e agitações da Independência. E pelos seus méritos, acabou sendo nomeado para o Conselho da Província, governando até 1835. Mas não descansou pois que novamente o foram buscar para presidência do Conselho em 1840.
Como administrador, como deputado que também foi em diversas legislaturas, o Brigadeiro Tobias de Aguiar foi agraciado com a Ordem de Cristo e depois a Imperial Ordem da Rosa.
Sua faina inovadora não parava apenas no desempenho dos seus cargos. Ia mais além, e por isso se meteu numa rebelião de Sorocaba, com a cumplicidade de Diogo Antônio Feijó. Derrotado, teve de fugir para o Rio Grande do Sul. Mas foi preso e encerrado na Fortaleza de Lage, no Rio, onde permaneceu até ser anistiado.
Liberado, veio para São Paulo, onde teve recepção entusiástica. O povo não esquece os benefícios que recebe como não esqueceu os nomes daqueles que desde logo se projetaram na sua admiração. E quem sabe foi nesse momento, então, que a rua do Seminário recebeu esse nome? E o nome Seminário foi dado a outra viela adjacente.
Morreu em um barco que vinha do Rio para São Paulo em 1857. Seus despojos estão na igreja da Ordem Terceira de S. Francisco.

Bibliografia:
São Paulo de Antigamente, historias pitoresca de suas ruas, Manoel Vitor.